Escolas brasileiras têm sido cenário de massacres, fenômeno de extrema violência com um número significativo de vítimas fatais. Dentre vários episódios, chama a atenção o ocorrido em Suzano/SP, pela diversidade de armas utilizadas na ação, pelo número expressivo de mortos e feridos e pela abundante evidência de estereótipos de gênero associada aos dois jovens perpetradores. A partir dessa constatação, examinamos, em comentários que ilustram os oito tipos de desengajamentos morais associados ao massacre em tela, elementos de uma masculinidade tóxica para cuja compreensão discutir elementos culturais torna-se central. Empregamos o método qualitativo para analisar, a partir de fotografia registrada por um perpetrador e replicada por usuários do Facebook, bem como de comentários associados a notícias sobre o massacre na internet, componentes caracterizadores da masculinidade tóxica e a ocorrência de desengajamentos morais. Concluímos que esses desengajamentos corroboram a construção de uma imagem androcêntrica e ilusória da identidade masculina. Logo, este estudo possibilita refletir acerca do conteúdo de papéis de gênero associado ao desengajamento moral, evidenciando uma cultura de violência e insistindo, ao final, na importância de atender-se à necessidade de uma educação moral na escola para desenvolver a racionalidade crítica que põe a nu ilusões naturalizadas naquela cultura fomentadora de massacres.