O isolamento social, uma experiência que se intensificou globalmente durante a pandemia de COVID-19, trouxe à tona desafios significativos para a saúde mental e emocional de crianças e adultos. Embora a necessidade de medidas preventivas tenha sido inegável, as consequências psicológicas desse isolamento lançaram uma luz sobre a importância das interações sociais para o bem-estar humano.Entre as crianças, o impacto foi particularmente preocupante. Em uma fase fundamental de desenvolvimento cognitivo, emocional e social, a falta de contato com colegas e professores dificultou o aprendizado e prejudicou a aquisição de habilidades sociais, com aumento de sintomas como ansiedade, depressão e irritabilidade, além de atrasos no desenvolvimento da linguagem e dificuldades em lidar com situações sociais após o retorno às atividades presenciais. Para os adultos, o isolamento intensificou problemas como solidão, estresse e transtornos de ansiedade. O distanciamento de amigos, familiares e colegas, aliado à pressão de manter empregos ou cuidar de familiares em um cenário incerto, sobrecarregou a saúde mental de muitos. Além disso, a limitação de atividades recreativas e culturais contribuiu para uma sensação generalizada de desconexão e monotonia.Embora o contexto pandêmico tenha servido como um catalisador, é essencial reconhecer que o isolamento social é um fenômeno que transcende situações de emergência sanitária. Muitos idosos, por exemplo, já enfrentavam essa realidade há anos, frequentemente esquecidos pela sociedade e sem acesso a redes de apoio, fato identificado e considerado preocupante para o futuro, tendo em vista o aumento da sobrevida dos indivíduos e diminuição da natalidade. Além disso, em uma sociedade marcada pela redução das interações presenciais e pelo uso excessivo de dispositivos eletrônicos, como iPads, celulares e interações virtuais em jogos de videogame desde a infância, observa-se um aumento significativo do tempo de tela, o que pode gerar consequências futuras, incluindo o enfraquecimento dos relacionamentos presenciais e o isolamento. Somado a isso, a recente perspectiva de relacionamentos virtuais criados por meio da inteligência artificial pode aumentar ainda mais o isolamento, levando ao empobrecimento das relações interpessoais e à ausência do contraditório, perdendo a capacidade de conviver com a singularidade e a complexidade dos seres humanos.Neste número, apresentamos dois artigos de revisão envolvendo este tema. Apreciem.