As décadas de 1950 e 1970 são marcadas por acontecimentos e normativas, segundo a historiografia que analisa o Carnaval do Recife. Nesta época, organizar o reinado de Momo tornou-se uma prioridade política, pois os administradores julgavam necessário criar políticas públicas capazes de solucionar uma questão que há décadas era destaque nos periódicos da cidade: ‘salvar o Carnaval do Recife da decadência’. Na tentativa de organizar a festa, portarias e legislações foram criadas para proibir as práticas consideradas subversivas, dentre elas a participação das travestis, que estavam presentes em muitas agremiações carnavalescas. No ano 1970 uma resolução da Secretaria de Segurança Pública (SSP/PE) proibiu que as travestis e homossexuais fossem vistos nas ruas durante o Carnaval do Recife. No entanto, a resistência das travestis pode ser vista e problematizada na historiografia e nos periódicos da cidade. Neste sentido, a pesquisa analisou a perseguição às travestis no reinado de Momo, ressaltando também suas resistências a qualquer tipo de norma ou proibição.