Neste artigo tratamos da monogamia como normativa de condicionamento moral de desejos e afetos dentro da estrutura de parentescos, casamentos e relações familiares, que agregam valores simbólico e material na maneira como a sociedade contemporânea é constituída. Indicaremos que esses aspectos também se associam aos vínculos materiais e afetivos de apego e ao temor da finitude. Nosso objetivo é refletir os modos como a monogamia, em sua intersecção com raça, classe, gênero e sexualidades, estabelece as bases ideológicas para a constituição da cultura material e urbana na aparência e nos discursos relativos à arquitetura das cidades em sua busca constante pelo privilégio da exclusividade. Nos organizamos metodologicamente através da inspiração etnográfica e pelos métodos de revisão teórica e observação não participante para analisar à promessa de exclusividade e unicidade no espaço urbano de Erechim (RS, Brasil). Ao final, para contrapor a constituição da monogamia na cultura material e urbana em sua busca constante pelo privilégio da exclusividade, argumentamos sobre a possibilidade de vivências mais solidárias e desapegadas na cidade contemporânea com base na maior proeminência de vínculos e afetos não monogâmicos.