Os cigarros eletrônicos, ou vapes, têm sido divulgados como alternativas potencialmente menos nocivas ao cigarro convencional. Porém, evidências indicam que esses dispositivos constituem sistemas complexos de exposição química, capazes de gerar ou liberar compostos tóxicos muitas vezes não perceptíveis ao usuário. O objetivo deste trabalho foi revisar os principais compostos químicos não evidentes presentes nos cigarros eletrônicos. Foi realizada uma busca na base de dados PubMed/MEDLINE e em relatórios de órgãos de saúde (OMS, CDC, FDA e ANVISA), abrangendo publicações até abril de 2026. Os resultados mostram que os compostos utilizados são considerados seguros quando ingeridos, mas não quando inalados. Os dados demonstram que o aquecimento de aromatizantes e umectantes como o propilenoglicol e glicerol, podem originar principalmente aldeídos e cetonas reativas, enquanto componentes metálicos internos (resistência) do dispositivo podem liberar metais como Pb, Cu, Ni, Co, Se após a pirólise e contaminar o aerossol inalado. Foi observado, também, dificuldade nas metodologias de pesquisas experimentais, com estudos envolvendo a descrição dos componentes pelo fabricante bem como estudos de análise dos e-líquidos de dispositivos adquiridos pela internet, obtendo-se resultados discrepantes. O artigo apresenta, também os principais aromatizantes encontrados, suas e associação com categorias de sabor, fator essencial no marketing do cigarro eletrônico, relacionado ao aumento do uso do dispositivo.
Electronic cigarettes, or vapes, have been promoted as potentially less harmful alternatives to conventional cigarettes. However, growing evidence indicates that these devices represent complex systems of chemical exposure, capable of generating or releasing toxic compounds that are often not perceptible to the user. The aim of this study was to review the main non-obvious chemical compounds present in electronic cigarettes. A literature search was conducted using the PubMed/MEDLINE database, as well as reports from health agencies (WHO, CDC, FDA, and ANVISA), covering publications up to April 2026. The results indicate that many of the compounds used are considered safe when ingested, but not when inhaled. Data show that the heating of flavoring agents and humectants, such as propylene glycol and glycerol, can primarily generate reactive aldehydes and ketones. In addition, internal metallic components of the device (heating coils) may release metals such as Pb, Cu, Ni, Co, and Se following pyrolysis, thereby contaminating the inhaled aerosol. Furthermore, challenges in experimental research methodologies were identified, including studies relying on manufacturer-reported compositions, as well as analyses of e-liquids from devices purchased online, often yielding discrepant results. The article also presents the main flavoring agents identified and their association with flavor categories, a key factor in cigarette marketing and related to the increased use of these devices.