Este artigo analisa os processos de enquadramento da memória pela ação do Estado, através do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), em conflito e oposição às memórias dos indivíduos pertencentes às comunidades rurais do Tabuleiro de Russas, no Ceará, que foram impactadas por políticas de modernização no campo, em fins do século XX e início do XXI. Considerando a construção de grandes obras materiais e de obras de memória institucional, analisamos como essas intervenções significaram ataques ao direito à memória dos sujeitos que habitam o campo, em virtude do extremo perigo de extinção e esquecimento das comunidades. Para tanto, fizemos uso de documentação oficial (escrita e audiovisual) construída pelo Estado, além de fontes orais e escritas produzidas no âmbito rural.
This article aims to analyze the many framing memories processes used by the State, through the DNOCS (National Department of Works Against the Drought), which are in conflict and opposed to the memories of Tabuleiro de Russas’ countryside communities individuals, in Ceará, who suffered a huge impact by politics of modernization and improvements on the countryside, in the late years of the XX century and the early years of the XXI.Considering the construction of a huge material and institutional memory work, the article analyzes how this interventions attacked the countryside individual’s rights to their memory, because of the extreme risk of extinction and forgetfulness in the communities.Therefore, we made use of an official documentation (written and audiovisual) constructed by the State, besides the oral and written sources produced in the countryside scope.