Florestas artificiais de Eucalyptus produzem grande quantidade de serapilheira que através de
ventos e águas pluviais são arrastadas para dentro de ambientes hÃdricos, com consequente alteração do
ecossistema aquático. Para avaliar o efeito ecotoxicológico da serapilheira de Eucalyptus urograndis
no ambiente aquático, foram preparados extratos orgânicos (hexânico, clorofórmico, acetato-etÃlico e
etanólico) e aquoso. Estes extratos foram submetidos a testes in vitro utilizando como bioindicadores
Daphnia similis e D. laevis (Anomopoda: Daphiniidae) para os extratos mais polares e Chironomus
xanthus (DÃptera: Chironomidae) para os menos polares. Os testes confirmaram a presença de atividade
tóxica em todos os extratos e indicaram o potencial ecotoxicológico das folhas de E. urograndis para
ambientes aquáticos. Os resultados dos testes demonstraram a necessidade da adoção de novas
tecnologias sustentáveis que possibilitem a preservação de ambientes aquáticos localizados na
vizinhança das plantações de Eucalyptus sp.
Paralelamente aos estudos ecotoxicológicos, os extratos hexânico e clorofómico das folhas da
serapilheira foram submetidos a estudo fitoquÃmico levando ao isolamento de 5-hidroxi-4’,7-dimetoxi-
6,8-dimetilflavona (eucaliptina), nonacosanoato de 2-(4’-hidroxifenil)etila e um álcool graxo. Estes
dois extratos, juntamente com o extrato aquoso, foram submetidos à reação de derivatização com
BSTFA e depois, analisados por CG-EM, sendo possÃvel detectar 25 compostos orgânicos. As
principais classes de constituintes observados nestes extratos por CG-EM foram ácidos graxos,
hidrocarbonetos de cadeia longa, esteróides, carboidratos e alcoóis graxos.