O dandismo e suas contradições têm auxiliado a pensar identidades queer desde a virada do século XIX. O dândi cultiva uma estética das aparências e prática uma estetização e estilização do corpo, o que denuncia o caráter performativo da identidade e abala concepções heteronormativas sobre corpo, gênero e sexualidade. A noção de dandismo como performance (e como uma forma de protesto contra o capitalismo industrial moderno) tornou-se a base para modelos contemporâneos de arquétipos identitários gays discutidos pelos estudos gays e queer, assim como para discussões contemporâneas sobre políticas de estilo. Neste ensaio, discuto o capítulo IX de The Picture of Dorian Gray (1890), de Oscar Wilde, o “tratado estético” do romance. Nele, Wilde articula a figura do dândi, Dorian Gray, a uma estética queer através da experiência da coleção de itens raros, exóticos e manufaturados, promovida por uma espiritualização dos sentidos.
Dandyism and its contradictions have helped to ponder about queer identities since the turn of the nineteenth century. The dandy cultivates an aesthetic of appearances, aestheticizing and stylizing the body, which suggests that identity is performative, and undermines heteronormative conceptions towards body, gender, and sexuality. Understanding dandyism as performance (and as a form of protest against modern industrial capitalism) has become the basis for contemporary models of gay identity archetypes discussed by gay and queer studies, as well as for contemporary discussions of politics of style. In this essay, I discuss Chapter IX of Oscar Wilde’s The Picture of Dorian Gray (1890), the novel’s “aesthetic treatise.” In it, Wilde articulates the figure of the dandy Dorian Gray to a queer aesthetic through the experience of collecting rare, exotic, and manufactured items, upheld by the spiritualizing of the senses.