O tema que orienta esta aula inaugural—“Defesa Naval e Segurança Marítima no Atlântico Sul”—não foi escolhido ao acaso. Ele reflete a centralidade crescente do espaço marítimo para a segurança, o desenvolvimento e a projeção internacional do Brasil, bem como as profundas transformações em curso no ambiente estratégico global e regional. Para o Brasil, o mar e os rios são muito mais do que espaços de circulação: são fonte de energia, de alimentos, de riqueza, de conectividade e de projeção internacional. Nesse sentido, é importante recordar que a relação do País com suas águas jurisdicionais não é apenas econômica, mas também existencial. Ao longo da História, sempre que a soberania brasileira foi diretamente afetada por conflitos armados, a ameaça materializou-se, primeiro, no domínio marítimo ou fluvial. A Guerra da Tríplice Aliança, o maior conflito armado internacional ocorrido na América Latina, teve início em 1864, com o apresamento do vapor Marquês de Olinda, no porto de Assunção, Paraguai. Em 1917, a entrada do Brasil na Primeira Guerra Mundial foi precipitada pelo afundamento dos navios mercantes Paraná e Macau por submarinos alemães. Em 1942, o transbordamento da guerra na Europa para o Atlântico Sul levou o País a entrar na Segunda Guerra Mundial, após o afundamento de pelo menos 21 navios mercantes brasileiros, com a perda de mais de 700 vidas.