Em 2011, uma coalizão de 40 países ocidentais e árabes, juntamente com a OTAN, desencadeou a guerra contra a Líbia, motivada por interesses atribuíveis às políticas neocoloniais na África e no Oriente Médio, mas justificada pela defesa dos direitos humanos do povo líbio (UNITED, 2005), supostamente ameaçado pelo regime de Gaddafi. Desenvolvimentos posteriores estão provando que tais ameaças eram superestimadas, como relatórios e pesquisas internacionais estão mostrando; contudo o resultado é a destruição de um país soberano, seu empobrecimento, a guerra entre milícias e o caos político e social, e uma onda de imigração de massa da Líbia para a Europa. Trata-se seja de trabalhadores da África subsaariana que sob o regime de Gaddafi levavam uma vida digna, com trabalho, casa, assistência social e sanitária, seja de imigrantes que chegam na Líbia a partir de outros Estados africanos e acabam caindo nas redes de tráfico de seres humanos, gerenciadas por milícias líbias e de outros países árabes, máfias locais e internacionais. O artigo analisa esse fenômeno migratório, em relação à situação na Líbia, tentando destacar suas causas e propósitos, e o uso e a exploração pelas indústrias europeias, e mais em geral pelo sistema econômico capitalista neoliberal.