A educação das formigas: extremas direitas e redes sociais

Simbiótica

Endereço:
Universidade Federal do Espírito Santo - Av. Fernando Ferrari, 514, IC II, Sl. 21 - Goiabeiras
Vitória / ES
29075-910
Site: http://periodicos.ufes.br/simbiotica/index
Telefone: (27) 4009-7619
ISSN: 2316-1620
Editor Chefe: Marcelo de Souza Marques
Início Publicação: 31/05/2012
Periodicidade: Semestral
Área de Estudo: Antropologia, Área de Estudo: Ciência política, Área de Estudo: História, Área de Estudo: Sociologia, Área de Estudo: Multidisciplinar

A educação das formigas: extremas direitas e redes sociais

Ano: 2025 | Volume: 12 | Número: 3
Autores: Bruno Antonio Picoli, Roberta Guimarães
Autor Correspondente: Bruno Antonio Picoli | prof.brunopicoli@gmail.com

Palavras-chave: extrema direita; redes sociais; idolatria; subjetividades

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

O artigo parte da indagação: qual o educativo na atuação das extremas direitas contemporâneas nas redes sociais e quais são suas implicações para o futuro das democracias? Para enfrentá-la faz uso das ideias de Idolatria (Souza, 2020) e de regime de informação (Han, 2018). Está organizado em três momentos. No primeiro momento, procura compreender o reacionarismo a partir do processo de digitalização da vida. No segundo, são analisados três casos: o Movimento 5 Estrelas na Itália, a campanha de Donald Trump em 2016 nos Estados Unidos e a atuação da Jovem Pan no Brasil. Juntos, esses casos demonstram como lideranças e movimentos reacionários se valeram dos ambientes digitais para manipular informações e consolidar seu poder político. Já o terceiro momento propõe uma reflexão sobre os efeitos desses movimentos, problematizando os impactos da radicalização política e da desinformação sobre o espaço público e a própria ideia de democracia. Conclui-se que as extremas direitas contemporâneas operam sob a aparência de liberdade e espontaneidade, educando os sujeitos para uma concepção quantitativa da “verdade”, para a naturalização das relações de mercado e para uma ideia de democracia como imposição da vontade da maioria sobre as minorias.



Resumo Inglês:

The article starts with the question: what is educational about the actions of contemporary far right groups on social media, and what are the implications for the future of democracies? To address this question, it draws on the ideas of idolatry (Souza, 2020) and the information regime (Han, 2018). It is organized into three sections. First, it seeks to understand reactionism from the perspective of the digitisation of life. Second, it analyses three cases: the Five Star Movement in Italy, the Donald Trump's 2016 campaign in the United States, and the actions of Jovem Pan in Brazil. Together, these cases demonstrate how reactionary leaders and movements have used digital environments to manipulate information and consolidate their political power. The third part proposes a reflection on the effects of these movements, questioning the impacts of political radicalisation and disinformation on the public sphere and the very idea of democracy. It concludes that contemporary far-right movements operate under the guise of freedom and spontaneity, educating individuals to accept a quantitative conception of ‘truth,’ the naturalisation of market relations, and an idea of democracy as the imposition of the will of the majority on minorities.



Resumo Espanhol:

El artículo comienza con la pregunta: ¿cuál es el educativo de las acciones de los grupos de extrema derecha contemporáneos en las redes sociales y cuáles son las implicaciones para el futuro de las democracias? Para abordar esta pregunta, se basa en las ideas de idolatría (Souza, 2020) y de régimen de información (Han, 2018). Se organiza en tres secciones. En primer lugar, trata de comprender el reaccionarismo desde la perspectiva de la digitalización de la vida. En segundo lugar, analiza tres casos: el Movimiento Cinco Estrellas en Italia, la campaña de Donald Trump en 2016 en Estados Unidos y las acciones de Jovem Pan en Brasil. En conjunto, estos casos demuestran cómo los líderes y movimientos reaccionarios han utilizado los entornos digitales para manipular la información y consolidar su poder político. La tercera parte propone una reflexión sobre los efectos de estos movimientos, cuestionando el impacto de la radicalización política y la desinformación en la esfera pública y en la propia idea de democracia. Concluye que los movimientos de extrema derecha contemporáneos operan bajo el disfraz de la libertad y la espontaneidad, educando a los individuos para que acepten una concepción cuantitativa de la «verdad», la naturalización de las relaciones de mercado y una idea de democracia como la imposición de la voluntad de la mayoría sobre las minorías.