O artigo aborda os impactos neuropsiquiátricos dos esteroides anabolizantes androgênicos (EAA), substâncias cujas origens datam da Antiguidade e que atualmente suscitam debates sobre saúde mental. Este trabalho tem como objetivo examinar os efeitos psicológicos e neurocognitivos do uso de EAA, com ênfase na cognição social e nos distúrbios de imagem corporal em usuários crônicos. A pesquisa consistiu em uma revisão integrativa de literatura, contemplando estudos recentes acessíveis em bases científicas como PubMed, CAPES e outras. Os critérios de inclusão visaram maximizar a qualidade e a relevância das evidências, selecionando artigos que abordam diretamente as correlações entre EAA e efeitos neuropsiquiátricos. O uso prolongado de EAA mostrou forte associação com múltiplas psicopatologias, incluindo transtornos de personalidade antissocial e borderline, transtornos de humor, dismorfia muscular e distúrbios de controle de impulsos. Em homens, verificou-se prevalência de dismorfia muscular e dependência de exercício físico, enquanto em mulheres os resultados apontam para maior incidência de transtornos de personalidade e humor. A literatura evidencia déficits significativos na Teoria da Mente (ToM) em usuários de EAA, com redução na capacidade de interpretação dos estados mentais alheios, potencializando comportamentos antissociais. O abuso de EAA compromete a saúde mental, promovendo alterações na cognição social e desencadeando comportamentos impulsivos e agressivos. Esses achados reforçam a necessidade de políticas de saúde pública que regulem o acesso aos EAA e incentivem intervenções terapêuticas voltadas à cessação e ao suporte psicossocial de usuários.