Esse artigo, fruto de trabalho etnográfico conduzido na Escola Politécnica da UFBA, em 2017, analisa a recepção das alunas e dos alunos de cursos das engenharias à disciplina de Introdução aos Estudos de Gênero (IEG). Ao contrário da maioria das disciplinas das engenharias, dominada por homens, a disciplina de IEG proporcionou um ambiente essencialmente feminino – e feminista – a esses estudantes. Como consequência, os estudantes homens tenderam a se mostrar mais acanhados em suas intervenções em sala e as estudantes mulheres, que a princípio disseram se sentir desconfortáveis com a dinâmica das aulas, ressaltaram a importância do curso para a formação profissional de diversas áreas. No geral, tanto estudantes homens quanto mulheres viram na disciplina de IEG uma oportunidade de exercitar habilidades, como a escrita e o pensamento crítico, que são negligenciadas em seus cursos porém importantes para a formação de bons cidadãos.