Feminicídio Político: um estudo sobre a vida e a morte de Marielles

Cadernos de Gênero e Diversidade

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ISSN: 25256904
Editor Chefe: Felipe Bruno Martins Fernandes
Início Publicação: 31/12/2015
Periodicidade: Trimestral
Área de Estudo: Ciências Humanas, Área de Estudo: Antropologia, Área de Estudo: Sociologia, Área de Estudo: Multidisciplinar, Área de Estudo: Multidisciplinar

Feminicídio Político: um estudo sobre a vida e a morte de Marielles

Ano: 2020 | Volume: 6 | Número: 2
Autores: R. Souza
Autor Correspondente: R. Souza | renatasouza.ufrj@gmail.com

Palavras-chave: Marielle, Feminicídio Político, Negras, Racismo

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

A ocupação das mulheres na “linha de frente” da política brasileira se dá a passos lentos e estéreis, ainda que o país tenha eleito a sua primeira presidenta em 2010, com a chegada de Dilma Rousseff ao poder. A dominação social e histórica do patriarcado sobre os corpos, vontades e desejos das mulheres gestou uma política infecunda aos propósitos de equidade de gênero em todas as esferas de poder.  Assim, o artigo em questão trata da apresentação da pesquisa desenvolvida no pós-doc do âmbito do Programa de Pós-Graduação Mídia e Cotidiano da UFF. Pretende-se desvendar e articular os processos de luta política das mulheres, em especial das mulheres negras na tomada de poder. Além disso, estabelecer parâmetros empíricos e teóricos para a compreensão da política de visibilidade e/ou invisibilidade social e midiática que tanto podem proteger quanto vulnerabilizar a própria existência dessas mulheres. Por isso, propomos a formulação e conceituação da inédita expressão “feminicídio político” para caracterizar, categorizar, denominar e classificar a execução sumária da vereadora Marielle Franco, em 14 de março de 2018. Uma mulher, favelada, feminista negra, LGBT, em ascensão política, que ousou desafiar os podres poderes das máfias existentes no Rio de Janeiro. Para tanto, abordaremos como método científico a autoetinografia, uma vez que a autora desta pesquisa é uma mulher, feminista negra, cria da favela da Maré, que trilhou sua trajetória política por cerca de 20 anos ao lado de Marielle Franco. Além disso, capturaremos a rotina e o cotidiano político a partir das narrativas discursivas da minha vivência, meu conhecimento empírico, como a mulher mais votada da esquerda do estado, com 63.937 votos, que ocupa o cargo de deputada estadual e é a primeira mulher negra presidenta da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.