Este artigo analisa as dinâmicas de gênero no ambiente escolar a partir do estudo de uma instituição pública localizada no município de Dracena (SP), entre 1949 e 1996. A investigação a predominância feminina na docência, configurando uma distribuição de funções escolares que se consolidou historicamente no interior do sistema educacional paulista. A partir de documentos administrativos, atas escolares e registros institucionais, observa-se que essa configuração resultou de processos sociais mais amplos, que ao longo do tempo associaram diferentes expectativas profissionais a homens e mulheres. Os dados permitem identificar elementos culturais e institucionais que influenciaram a organização interna da escola, como concepções amplamente difundidas sobre profissionalidade, organização do trabalho e formas de participação na vida escolar. Esses fatores contribuíram para moldar percepções sobre a docência e a gestão. Ao longo do período estudado, observa-se que mulheres desempenharam papéis centrais no cotidiano escolar, assumindo responsabilidades variadas e contribuindo significativamente para o funcionamento e a continuidade da instituição. Conclui-se que compreender essas trajetórias exige considerar a complexidade das relações de gênero na educação, reconhecendo tanto permanências quanto transformações ao longo do tempo. Políticas de formação, incentivo à participação equilibrada em diferentes funções escolares e valorização das múltiplas formas de atuação profissional constituem caminhos importantes para fortalecer práticas educacionais mais inclusivas e sensíveis às diversidades históricas e sociais.