O presente artigo, por meio de uma série de obras de arte dos Países Baixos, explora a construção do conceito de “jurista” no contexto do Antigo Regime, o qual veio a refletir a estrutura da cultura jurídica ocidental. A partir da profissionalização do Direito e da redescoberta do Corpus Iuris Civilis e do Corpus Iuris Canonici, observa-se a substituição do direito consuetudinário por um sistema normativo codificado e de caráter acadêmico. Sob esse prisma, o ensaio salienta o uso estratégico da arte não apenas como instrumento de autolegitimação dos juristas, mas também como veículo de críticas contundentes a essa classe, por meiode uma análise iconográfica. Desse modo, o autor evidencia que, mesmo transcorrido quase um milênio da introdução do procedimento romano-canônico, e praticamente quinhentos anos após as representações artísticas criticando o sistema, muitos dos problemas estruturais do campo jurídico permanecem na contemporaneidade.
This paper, through a series of works of art from the Netherlands, explores the construction of the concept of “jurist” in the context of the Ancien Regime, which came to reflect the structure of the Western juridic culture. From the professionalization of law and the rediscovery of Corpus Iuris Civilis and Corpus Iuris Canonici, it is observed the substitution of customary law by a codified normative system and academic character. In this light, the essay highlights the strategic use of art not only as an instrument for self-legitimizing jurists,but also as a vehicle for forceful criticism of this class through an iconographic analysis. Thus, the author shows that even after almost a millennium of the introduction of the Roman-canonical procedure, and almost five hundred years after the artistic representations criticizing the system, many of the structural problems of the legal field remain the same in contemporaneity.
El presente artículo, a través de una serie de obras de arte de los Países Bajos, explora la construcción del concepto de “jurista” en el contexto del Antiguo Régimen, que vino a reflejar la estructura de la cultura jurídica occidental. A partir de la profesionalización del derecho y el redescubrimiento del Corpus Iuris Civilis y del Corpus Iuris Canonici, se observa la sustitución del derecho consuetudinario por un sistema normativo codificado y de carácter académico. Bajo este prisma, el ensayo destaca eluso estratégico delarte no solo como instrumento de autolegitimación de los juristas, sino también como vehículo de críticas contundentes a esta clase, a través de un análisis iconográfico. De esta manera, el autor evidencia que, aunque hayan transcurrido casi un milenio desde la introducción del procedimiento romano-canónico, y prácticamente quinientos años después de las representaciones artísticas criticando el sistema, muchos de los problemas estructurales del campo jurídico siguen siendo los mismos en la contemporaneidad.