O artigo debate a representação da masculinidade viril na política contemporânea e, particularmente, a estética masculinista vinculada à (extrema) direita e, de modo geral, ao autoritarismo. A análise focaliza cenas e fotografias difundidas em canais midiáticos e redes sociais nas quais a associação entre política e louvor à estética masculinista é sintetizada na figura do líder de Estado ou de seus apoiadores. As imagens em questão foram produzidas no Brasil e nos EUA entre 2018 e 2021. Comparando-as e analisando-as isoladamente, destaca-se de que maneira, através de uma estética sincrética, tem-se produzido uma cena masculinista transnacional que serve de sustento a diferentes grupos políticos. Esses recursos visuais são estrategicamente concebidos com referências heterogêneas que condensam desde estereótipos arcaicos até imagens emblemáticas da masculinidade contemporânea. Essas imagens, dada a frequência com que aparecem em cenas políticas, podem ser compreendidas como parte da atual ofensiva antigênero em países do Norte e do Sul Global. Essas aparições, ao mesmo tempo, reafirmam uma visão neofascista na política e se constituem como resposta ressentida, fundamentalmente machista, frente ao progressivo avanço de conquistas sociais nas últimas décadas decorrentes das lutas feministas e da atuação de movimentos sociais ligados às identidades sexuais e de gênero dissidentes.