Em meados do século XIX, Ana Plácido e Camilo Castelo Branco tinham-se tornado o casal adúltero mais conhecido de Portugal. Camilo era igualmente famoso pela sua produção novelística, mas Plácido, embora também fosse escritora, era considerada “apenas” a amante adúltera de um grande romancista. Contudo, ambos escreveram prolificamente acerca do adultério, do amor e da mulher. Neste artigo, procuraremos analisar as diferenças entre as obras de ambos os escritores quanto à construção e interpretação do adultério e do comportamento sexual e social feminino. Partimos da convicção de que o género sexual tem uma influência relevante sobre a perspectiva social de um/a autor/a e de que o Romantismo português só ficará completo quando as vozes femininas que para ele contribuíram forem ouvidas. Procuraremos, acima de tudo, dar visibilidade à esquecida obra de Ana Plácido.
By mid-nineteenth century, Ana Plácido and Camilo Castelo Branco had become the most famous adulterous couple in Portugal. Camilo was also known for his novels. Plácido, however, being also a writer, was “only” seen as the adulterous lover of a great novelist, while her literary production was disregarded by the public. Nevertheless, both authors wrote prolifically about adultery, love and women. In this article, we aim to analise the differences between the works of these two writers regarding the description and interpretation of adultery and of female sexual and social behaviour. Our approach is framed by the belief that gender has a relevant influence on an author’s perspective on society and that Portuguese Romanticism can only be fully understood when its female voices are heard and read. Therefore, our main goal with this article is to give more visibility to the forgotten works of Ana Plácido.