Na “Odisseia” [Οδύσσεια], Demódoco [divino aedo] — no banquete da corte do rei dos Feácios — homenageou Odisseu. Na pena de Homero, quando Odisseu ouviu sua história narrada verteu lágrimas. Neste estudo, investiguei as lágrimas de Odisseu no banquete da corte do rei dos Feácios. No percurso teórico-metodológico, optei por delinear uma pesquisa qualitativa, de impostação bibliográfica e documental, que possui como foco e suporte a Historiobiografia: abordagem terapêutico-educativa desenvolvida por Dulce Critelli, que tenciona redescobrir o sentido da vida por meio da compreensão da história pessoal. Na Historiobiografia, as raízes [epistemológicas] se fincam nos estudos clássicos [Homero e Platão] e contemporâneos [Martin Heidegger e Hannah Arendt]. Nesta investigação, elegi um corpus: Homero, Odisseia, VIII. No canto VIII, Demódoco — narrando relatos, historietas e histórias — transformou aquilo que para Odisseu não passara de meras ocorrências da vida numa história dentro da História. Na corte do rei dos Feácios, à medida que seus feitos foram ordenados e objetivados, inclusive ouvidos pelos outros, a personagem que Odisseu estava a ser — mas lhe escapava — desvela-se para si mesmo e para os outros. Odisseu ao ouvir sua história narrada pode examinar-se e des-cobrir o sentido-reconhecimento da vida. No palco do ex-istir, as lágrimas de Odisseu indicam reconciliação com a realidade.