A hemorragia digestiva alta (HDA) constitui uma emergência médica relevante, associada a elevada morbimortalidade, especialmente quando refratária às abordagens clínicas e endoscópicas. O presente estudo teve como objetivo analisar criticamente as principais estratégias cirúrgicas empregadas no manejo da HDA, com ênfase em suas indicações, eficácia terapêutica e complicações associadas, por meio de uma revisão narrativa da literatura realizada entre 2010 e 2023, com base em bases de dados nacionais e internacionais, incluindo estudos originais, revisões sistemáticas, metanálises e diretrizes clínicas. Os achados evidenciam que diferentes técnicas cirúrgicas desempenham papel fundamental no controle da hemorragia, destacando-se a gastrectomia parcial, a embolização arterial, a ressecção de lesões neoplásicas e as abordagens híbridas com suporte endoscópico. A gastrectomia parcial demonstrou elevada eficácia em casos de úlceras pépticas complicadas e sangramentos persistentes, enquanto a embolização arterial se consolidou como alternativa minimamente invasiva, particularmente em pacientes com alto risco cirúrgico. Procedimentos conservadores e assistidos por endoscopia também apresentaram potencial na preservação tecidual, embora dependam de infraestrutura especializada e equipe experiente. Apesar dos avanços tecnológicos e da ampliação das opções terapêuticas, a escolha da abordagem ideal permanece desafiadora, exigindo avaliação individualizada baseada em fatores clínicos, anatômicos e institucionais. Observa-se ainda limitação na literatura devido à escassez de estudos prospectivos e ensaios clínicos randomizados, o que reforça a necessidade de investigações futuras mais robustas. Conclui-se que não há um método cirúrgico universalmente superior, sendo essencial a adoção de estratégias personalizadas para otimizar os desfechos clínicos e reduzir complicações.
Upper gastrointestinal bleeding (UGIB) is a significant medical emergency associated with high morbidity and mortality, particularly in cases refractory to clinical and endoscopic management. This study aimed to critically evaluate the main surgical approaches used in UGIB treatment, focusing on their indications, therapeutic effectiveness, and associated complications, through a narrative literature review conducted between 2010 and 2023, based on major national and international databases, including original studies, systematic reviews, meta-analyses, and clinical guidelines. The findings indicate that several surgical techniques play a crucial role in hemorrhage control, notably partial gastrectomy, arterial embolization, resection of neoplastic lesions, and hybrid procedures combining surgery and endoscopy. Partial gastrectomy demonstrated high efficacy in managing complicated peptic ulcers and persistent bleeding, while arterial embolization emerged as a minimally invasive alternative, particularly suitable for high-risk surgical patients. Conservative and endoscopy-assisted approaches also showed potential for tissue preservation, although they require specialized infrastructure and expertise. Despite technological advances and the expansion of therapeutic options, selecting the optimal surgical strategy remains challenging and must be individualized based on clinical, anatomical, and institutional factors. Additionally, limitations in the literature, particularly the lack of randomized controlled trials and prospective studies, restrict the strength of current evidence, reinforcing the need for more robust future research. It is concluded that no single surgical method is universally superior, highlighting the importance of personalized approaches to improve clinical outcomes and patient safety.