Este artigo explora as possíveis articulações simbólicas do mar e da areia no romance "Los que aman, odian" de Silvina Ocampo e Adolfo Bioy Casares. De autoria coletiva, essa obra sintetiza uma significativa articulação entre o romance policial e a narrativa de cunho insólito e fantástico. Através da análise do romance, este artigo propõe uma reflexão sobre como os autores incorporam elementos marítimos e toda uma semântica relacionada à água para a construção da trama. Também aborda a autoria coletiva e sua relevância na obra, além de remontar ao cenário literário argentino dos anos 1940. Lançando mão de um referencial teórico que compreende discussões acerca do espaço literário (Brandão, 2013), do fantástico e do insólito (Campra, 2008; Ceserani, 2006; García, 2007, 2009, 2012, entre outros) e do romance policial (Ponce et al, 2020), as análises apontam para as experimentações no romance policial e questionam em que medida há influências do fantástico e do insólito na narrativa, identificando possíveis lastros. Por fim, propõe uma análise detalhada de como o mar e a areia são utilizados pelos autores para integrar o romance em seus aspectos temáticos, imagéticos e na trama.Palavras-chave: Mar; areia; Adolfo Bioy Casares; Silvina Ocampo. 1 PreliminaresNão seria exagerado rotular que todos os grandes conjuntos - movimentos, grupos, expressões, etc. - literários possuem, em seus sistemas específicos, produções cuja temática está intrinsecamente vinculada às águas e, de forma mais restrita, ao mar. Nas narrativas míticas dos povos originários, de Homero a Shakespeare, de Camões a Hemingway, o mar parece exercer uma influência que vai além da mera ambientação paisagística e passa a interferir no caráter de personagens e nos imaginários que impregnam as obras que a ele se vinculam. A extensão dessa * Professora de Língua e Literatura de Língua Espanhola no Departamento de Letras e do Quadro Permanente do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem da Universidade Federal Rural de Pernambuco. É líder do Grupo de Pesquisa "Narrativas hispano-americanas do século XX". Tem mestrado e doutorado em Teoria da Literatura através do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Pernambuco, com dissertação e tese na área de Literatura Hispano-americana colonial e contemporânea, respectivamente.
This article explores the possible symbolic articulations of the sea and sand in the novel "Los que aman, odian" by Silvina Ocampo and Adolfo Bioy Casares. Co-authored, this work synthesizes a significant articulation between the detective novel and the narrative of the uncanny and fantastic. Through the analysis of the novel, this article proposes a reflection on how the authors incorporate maritime elements and an entire semantics related to water for the construction of the plot. It also addresses collaborative authorship and its relevance in the work, as well as tracing back to the Argentine literary scene of the 1940s. Drawing on a theoretical framework that includes discussions about literary space (Brandão, 2013), the fantastic and the uncanny (Campra, 2008; Ceserani, 2006; García, 2007, 2009, 2012, among others), and the detective novel (Ponce et al, 2020), the analyses point to experiments in the detective novel and question to what extent there are influences of the fantastic and the uncanny in the narrative, identifying possible links. Finally, it proposes a detailed analysis of how the sea and sand are used by the authors to integrate the novel into its thematic, imagistic, and plot aspects.