O mal-estar da filosofia ocidental na perspectiva de Nietzsche

Kairós

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ISSN: 2357-9420/1807-5096
Editor Chefe: Dr. Renato Moreira de Abrantes
Início Publicação: 20/01/2004
Periodicidade: Semestral
Área de Estudo: Ciências Humanas, Área de Estudo: Antropologia, Área de Estudo: Ciência política, Área de Estudo: Educação, Área de Estudo: Filosofia, Área de Estudo: Psicologia, Área de Estudo: Sociologia, Área de Estudo: Teologia, Área de Estudo: Linguística, Letras e Artes, Área de Estudo: Multidisciplinar, Área de Estudo: Multidisciplinar

O mal-estar da filosofia ocidental na perspectiva de Nietzsche

Ano: 2024 | Volume: 20 | Número: 1
Autores: P. L. V. B. Ramos
Autor Correspondente: P. L. V. B. Ramos | pedrobonfa77@hotmail.com

Palavras-chave: Décadence, filosofia, cultura.

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

O presente trabalho tem como objetivo apresentar, na perspectiva nietzschiana, alguns aspectos da teoria da décadence, limitando-se ao seu embate com a filosofia metafísica socrático-platônica, relacionando-os com a possibilidade de “diagnosticar” um processo de degeneração fisiopsicológico no indivíduo e na cultura ocidental. Para realizar tal empreitada, nos detemos na terceira fase do filósofo e nos escritos do último ano de produção de Nietzsche. Com efeito, no período o autor faz uma investigação minuciosa de Sócrates, no Crepúsculo dos Ídolos, de 1888. Diante disso, no primeiro momento, a fim de introduzirmo-nos no procedimento genealógico-fisiológico por meio do qual o filósofo investiga o conceito de décadence, destacamos alguns aspectos específicos do contexto histórico do conceito em questão que surgiu a partir do movimento literário francês da segunda metade do século XIX. Em seguida, a análise e os efeitos causados pela filosofia socrático/platônica ilustrados por Nietzsche, forneceram a matéria prima para comparar uma filosofia que expressa um estado de décadence e uma filosofia que se revela como uma manifestação da vontade de poder para o indivíduo e para cultura. Logo após, a investigação percorre o caminho da décadence fisiopsicológica que se manifesta em filosofias como a de Sócrates e Platão, apontando sua interpretação para a configuração fisiopsicológica da décadent de Sócrates (anarquia dos instintos), a fim de demonstrar que este conceito foi comum aos filósofos que interpretaram equivocadamente a vida, desvalorizando-a. Por fim, concluiremos enfatizando os males que essa relação causa tanto no individuo quanto na cultura e o que tais indivíduos e culturas têm em comum, ou seja, o niilismo e o ideal ascético, sintomas da décadence fisiológicapsicológica que causam a desagregação dos instintos. Portanto, a filosofia socrático-platônica é uma das máscaras para ocultar a “náusea” que a civilização ocidental sofre a séculos, sinalizando para o mal que causou tanto no indivíduo quanto na cultura. Dessa forma, ambos (indivíduo e cultura) foram fios condutores de uma análise que fornece elementos para empreender um “diagnóstico” da história da civilização europeia que, para Nietzsche, é um movimento de décadence.



Resumo Inglês:

The present work aims to present, from a Nietzschean perspective, some aspects of the theory of decadence, limiting itself to its clash with the Socratic-Platonic metaphysical philosophy, relating them to the possibility of “diagnosing” a process of physio-psychological degeneration in the individual. and in Western culture. To carry out this endeavor, we focus on the philosopher's third phase and on the writings of Nietzsche's last year of production. In fact, during the period the author carries out a thorough investigation of Socrates, in Twilight of the Idols, from 1888. In view of this, at first, in order to introduce ourselves to the genealogical-physiological procedure through which the philosopher investigates the concept of décadence, we highlight some specific aspects of the historical context of the concept in question that emerged from the French literary movement of the second half of the 19th century. Then, the analysis and effects caused by the Socratic/Platonic philosophy illustrated by Nietzsche, provided the raw material to compare a philosophy that expresses a state of decadence and a philosophy that reveals itself as a manifestation of the will to power for the individual and for culture. Soon after, the investigation follows the path of physiopsychological decadence that manifests itself in philosophies such as that of Socrates and Plato, pointing its interpretation to the physiopsychological configuration of Socrates' decadence (anarchy of instincts), in order to demonstrate that this concept was common to philosophers who misinterpreted life, devaluing it. Finally, we will conclude by emphasizing the evils that this relationship causes both in the individual and in the culture and what such individuals and cultures have in common, that is, nihilism and the ascetic ideal, symptoms of physiological-psychological decadence that cause the disintegration of instincts. Therefore, Socratic-Platonic philosophy is one of the masks to hide the “nausea” that Western civilization has suffered for centuries, signaling the harm it has caused both to the individual and to culture. In this way, both (individual and culture) were guiding threads of an analysis that provides elements to undertake a “diagnosis” of the history of European civilization which, for Nietzsche, is a movement of decadence.