Ao analisarmos o que pode ser o resultado do que produzem os currículos, nos vem a dúvida sobre a sua eficácia e somos chamados a desnaturalizar o modo como temos aceitado as suas formulações. Para a nossa atividade como professor, que tem como objeto a formação de professores, que por sua vez terão como objeto a concretização de propostas curriculares, parece-nos necessário buscar respostas às perguntas: qual o conhecimento relevante para essa formação? Qual o resultado esperado daqueles que serão alvo das ações desencadeadas pelas atividades pedagógicas que visam o ensino de conteúdos para concretizar o currículo? Neste artigo, procuramos abordar o currículo a partir do lugar que ocupamos no sistema educacional, na condição de professor de futuros professores. Nosso foco está dirigido sobre a forma de concretização do currículo no espaço escolar, lugar por excelência onde se realiza a trama pedagógica que objetiva o ensino. Defendemos que o desenvolvimento do currículo tenha também uma dimensão formadora daqueles que, na qualidade de sujeitos, participam dessa atividade complexa que de algum modo visa a realização de um projeto social. Nesse sentido, apresentamos um exemplo de realização de uma proposta de desenvolvimento de um currículo dentro de um projeto que tinha por objetivo experienciar, por meio do desenvolvimento de atividades orientadoras de ensino, o processo de significação da atividade pedagógica como modo de sua concretização, a partir da teoria da atividade. O projeto foi desenvolvido em colaboração por quatro grupos de pesquisas de universidades públicas que constituíram núcleos formados por pós-graduandos, alunos de iniciação científica, professores da rede pública de ensino e o coordenador do projeto local, professor da universidade, que viam nessa composição o modo de colocar em movimento a formação de cada participante diante de um problema comum: a construção de uma proposta para o ensino de matemática.
When we analyse what can be the result of what the curricula roduce, doubts about its effectiveness come to us, and we are called to denaturalize the way we have accepted its formulations. To our activity as teacher, which has as its object the teachers’ training, which in turn will have as their object the achievement of curricular proposals, it seems necessary to seek answers to the questions: what is the relevant knowledge for this training? What is the expected result of those who will be the target of the actions triggered by the pedagogical activities that aim at the teaching of contents to materialize the curriculum? In this article, we tried to approach the curriculum from the place we occupy in the educational system, as a teacher of future teachers. Our focus is directed on how the curriculum is concretized in the school, as the main place where the pedagogical framework that aims at teaching is carried out. We defend that the development of the curriculum also has a formative dimension of those who, as subjects, participate in this complex activity that somehow aims at the realization of a social project. In this sense, we present an example of a proposal for the development of a curriculum within a project that had as its goal to experience, through the development of guiding teaching activities, the process of meaning of the pedagogical activity as a way of achieving it, to based on the activity theory. The project was developed in collaboration by four research groups from public universities that formed core groups composed by graduate students, undergraduate students, public school teachers and the local coordinator of the project, an university teacher, who were able to see in this composition the way of setting in movement the formation of each participant face a common problem: the construction of a proposal for the teaching of mathematics.