Este artigo analisa dois folhetos poéticos publicados no Rio de Janeiro no ano de 1821: o anônimo Poesias em applauso dos heroicos feitos do memorável dia 26 de fevereiro e Versos que na ocasião de celebrar o Corpo do Commercio da Ilha de Santa Catharina o haver-se alli jurado a Constituição, recitou seu author Diogo Duarte e Silva. Partindo do entendimento de que os impressos mobilizam noções políticas de ordem e de poder relacionadas aos eventos pós-Revolução Liberal do Porto, em agosto de 1820, conclui-se que a) o primeiro cria, em suas composições e por meio da interpretação histórica, uma hipótese de que houve, no dia 26 de fevereiro de 1821, uma tentativa de golpe de Estado contra a monarquia; e b) o segundo, em especial na ode “Ao horrorozo assassinato do Juiz Ordinario da Villa de Laguna Luiz Martins Collaço”, articula uma compreensão da existência de um poder extraoficial e violento. Essa ilação constata que a poesia luso-americana do começo dos anos 1820 tentava organizar novos meios de reflexão e de produção diante dos aparatos sócio-políticos em que ela se via envolvida.
This article analyzes two poetic pamphlets published in Rio de Janeiro in the year 1821: the anonymous Poesias em applauso dos heroicos feitos do memoravel dia 26 de Fevereiro and Versos que na occazião de celebrar o Corpo do Commercio da Ilha de Santa Catharina o haver-se alli jurado a Constituição, recitou seu author Diogo Duarte e Silva. Departing from the understanding that these printed materials mobilize political notions of order and power related to the post-Liberal Revolution of Porto events in August 1820, it is concluded that a) the first pamphlet creates, in its compositions and through historical interpretation, a hypothesis that there was, on February 26, 1821, an attempt at a coup against the monarchy; and b) the second pamphlet, especially in the ode “Ao horrorozo assassinato do Juiz Ordinario da Villa de Laguna Luiz Martins Collaço,” articulates an understanding of the existence of an unofficial and violent power. This inference notes that Luso-American poetry in the early 1820s attempted to organize new means of reflection and production in the face of the socio-political apparatuses in which it found itself involved.