O artigo examina a ascensão da direita radical portuguesa por meio das lideranças da Juventude Chega (JCH) nas eleições legislativas de 2024, quando o partido elegeu 50 deputados. A pesquisa adota estratégia metodológica múltipla, a qual inclui: análise de 484 publicações no Facebook, Instagram e YouTube de três deputados da JCH – Rita Matias, Madalena Cordeiro, Daniel Teixeira e do presidente André Ventura; entrevistas com deputados e dirigentes da JCH e a observação participante na IV Academia Política de Verão. O estudo, fundamentado na Teoria Crítica, identifica técnicas de psicologia de massas empregadas por esses "agitadores" contemporâneos. A análise de conteúdo revelou cinco campos semânticos estruturantes: antiestablishment, conservadorismo moral, nacionalismo, punitivismo e exaltação do líder. O artigo demonstra como esses atores mobilizam afetos negativos, constroem antagonismos simplificadores e utilizam narrativas conspiratórias, exploradas estrategicamente nas redes sociais. Conclui-se que o êxito do Chega articula sofisticadas técnicas propagandísticas com ansiedades sociais autênticas da juventude portuguesa, relacionadas à precarização laboral e à falta de perspectivas de futuro, que configuram terreno fértil para discursos autoritários entre as novas gerações.