Este artigo examina o legado teológico do Papa Francisco no campo das relações inter-religiosas no contexto asiático. Seu objetivo central é integrar o magistério escrito do pontífice com seus encontros pastorais, a fim de delinear um novo arcabouço teológico para a Igreja em perspectiva global. A pesquisa adota uma metodologia qualitativa de análise teológica, baseada no exame documental das exortações e encíclicas Evangelii Gaudium, Documento sobre a Fraternidade Humana e Fratelli Tutti, em diálogo com uma interpretação teológica contextual de suas viagens apostólicas realizadas entre 2014 e 2024. Argumenta-se que Francisco propõe uma reconfiguração da relação entre evangelização e diálogo, compreendendo-os como dimensões mutuamente constitutivas, e não como processos paralelos. Os resultados indicam uma mudança significativa em direção a uma “práxis encarnacional”, que valida a pluralidade religiosa como parte do desígnio divino e privilegia uma cultura do encontro, alicerçada na humildade e na responsabilidade ética. Ao examinar padrões temáticos de diálogo simbólico, ético e espiritual no continente asiático, o estudo demonstra como a “teologia do encontro” de Francisco se corporifica em gestos de reconciliação e em apelos públicos por justiça. Como contribuição, a pesquisa oferece uma síntese teológica capaz de superar a distância entre a doutrina oficial e a experiência vivida. Propõe, assim, um modelo consistente para o cristianismo asiático enfrentar o avanço do nacionalismo religioso e atuar em esferas públicas marcadas por tensões, reafirmando o diálogo não como estratégia opcional, mas como exigência constitutiva — e sacramental — da missão cristã.
This article examines Pope Francis’s theological legacy in the field of interreligious relations within the Asian context. Its central objective is to integrate the pontiff’s written magisterium with his pastoral encounters in order to outline a new theological framework for the Church from a global perspective. The research adopts a qualitative methodology of theological analysis, based on a documentary examination of the exhortations and encyclicals Evangelii Gaudium, Document on Human Fraternity, and Fratelli Tutti, in dialogue with a contextual theological interpretation of his apostolic journeys undertaken between 2014 and 2024. It is argued that Francis proposes a reconfiguration of the relationship between evangelization and dialogue, understanding them as mutually constitutive dimensions rather than parallel processes. The findings point to a significant shift toward an “incarnational praxis” that validates religious plurality as part of the divine plan and prioritizes a culture of encounter grounded in humility and ethical responsibility. By examining thematic patterns of symbolic, ethical, and spiritual dialogue on the Asian continent, the study demonstrates how Francis’s “theology of encounter” is embodied in gestures of reconciliation and public appeals for justice. As a contribution, the research offers a theological synthesis capable of bridging the gap between official doctrine and lived experience. It thus proposes a coherent model for Asian Christianity to confront the rise of religious nationalism and to act in public spheres marked by tensions, reaffirming dialogue not as an optional strategy, but as a constitutive, and sacramental, requirement of the Christian mission.