Resistência antimicrobiana em ambientes naturais e antrópicos

Journal of Health & Biological Sciences

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ISSN: 23173076
Editor Chefe: Manoel Odorico de Moraes Filho
Início Publicação: 31/12/2012
Periodicidade: Trimestral
Área de Estudo: Medicina

Resistência antimicrobiana em ambientes naturais e antrópicos

Ano: 2025 | Volume: 13 | Número: 1
Autores: G. T. Dantas, C. G. Barbosa Filho, V. M. M. Melo, J. C. M. Ximenes
Autor Correspondente: J. C. M. Ximenes | julio.ximenes@fiocruz.br

Palavras-chave: ambientes naturais, ambientes antrópicos resistência microbiana

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

Objetivo: reunir e interpretar evidências sobre a resistência antimicrobiana (RAM) em ambientes naturais e antrópicos, discutindo sua disseminação, os riscos à saúde e as implicações para vigilância integrada (One Health). Metodologia: revisão da literatura, por meio de artigos da base de dados PubMed, ScienceDirect e Biblioteca Virtual de Saúde, publicados no período de 2016 a 2024. Foram selecionados artigos, seguindo os critérios de inclusão e exclusão, a partir dos descritores “MDR genes”, “antibiotics” e “environment”. Resultados: este estudo identificou 83 artigos, dos quais 65 foram excluídos por não atenderem os critérios de inclusão, resultando em 18 artigos que compuseram a revisão. Esses trabalhos demonstraram que resistomas diversos ocorrem não apenas em áreas urbanas, mas também em ecossistemas remotos, sugerindo um componente natural e antigo da RAM. Em contextos humanizados, águas superficiais próximas a centros urbanos concentram E. coli multirresistente e genes de resistência a antimicrobianos (ARGs), frequentemente associados a biofilmes. Estações de tratamento de esgoto (ETEs) reduzem carga bacteriana, porém liberam ARGs residuais, mantendo o fluxo de resistência. Na agricultura, o reuso de água e resíduos animais introduz ARGs no solo e em alimentos, enquanto metais pesados e biocidas atuam como coseletores e bacteriófagos favorecem transferência horizontal. Conclusão: a RAM é multifatorial e ambientalmente disseminada, demandando vigilância integrada contínua, tecnologias de tratamento mais eficazes, uso racional de antibióticos e regulação do reuso que são pilares indispensáveis da abordagem One Health.



Resumo Inglês:

Objective: to compile and interpret evidence on antimicrobial resistance (AMR) in natural and anthropogenic environments, discussing its dissemination, health risks, and implications for integrated surveillance (One Health). Methods: an integrative literature review of articles indexed in PubMed, ScienceDirect, and the Virtual Health Library, collected from 2016 to 2024. Studies were selected using predefined inclusion/exclusion criteria, as well as the descriptors “MDR genes,” “antibiotics,” and “environment.” Results: this study identified 83 articles, of which 65 were excluded for not meeting the inclusion criteria, resulting in 18 articles that composed the review. These studies demonstrated that diverse resistomes occur not only in urban areas but also in remote ecosystems, suggesting a natural and ancient component of antimicrobial resistance (AMR). In human-impacted settings, surface waters near urban centers concentrate multidrug-resistant E. coli and antimicrobial resistance genes (ARGs), often associated with biofilms. Wastewater treatment plants (WWTPs) reduce bacterial loads yet release residual ARGs, sustaining resistance flow. In agriculture, water reuse and animal waste introduce ARGs into soil and food, while heavy metals and biocides act as co-selectors, and bacteriophages facilitate horizontal gene transfer. Conclusion: AMR is multifactorial and environmentally widespread, demanding continuous integrated surveillance, more effective treatment technologies, rational antibiotic use, and regulation of water reuse—all indispensable pillars of the One Health approach.