Tamara Benakouche: Ciências, Tecnologia e Sociologia na UFSC

Cadernos de Gênero e Diversidade

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Universidade Federal da Bahia | Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas | Grupo de Estudos Feministas em Política e Educação - Estrada de São Lázaro, 197 - Federação
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Telefone: (71) 98482-6446
ISSN: 25256904
Editor Chefe: Felipe Bruno Martins Fernandes
Início Publicação: 31/12/2015
Periodicidade: Trimestral
Área de Estudo: Ciências Humanas, Área de Estudo: Antropologia, Área de Estudo: Sociologia, Área de Estudo: Multidisciplinar, Área de Estudo: Multidisciplinar

Tamara Benakouche: Ciências, Tecnologia e Sociologia na UFSC

Ano: 2026 | Volume: 12 | Número: 1
Autores: T. Benakouche, M. P. Grossi, C. Heisecke, S. Vergana, E. Neves, I. L. Schlindwein
Autor Correspondente: I. L. Schlindwein | zabelaliz80@gmail.com

Palavras-chave: ciências, mulheres, reposicionando olhares, UFSC, sociologia, história da internet

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

Com a publicação desta entrevista da profa. Tamara Benakouche, damos continuidade à divulgação dos resultados do projeto de pesquisa “Outros Olhares”, desenvolvido pelo Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades (NIGS/UFSC). A entrevista foi realizada em dezembro de 2022 com o objetivo de integrar as comemorações dos 50 anos do curso de Ciências Sociais da UFSC (1973–2023). 
Nesta entrevista, Tamara Benakouche compartilha sua contribuição para a consolidação do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) a partir de 1982 e, sobretudo, para a criação do campo dos Estudos Sociais da Ciência e da Tecnologia no Brasil.
A socióloga reconstrói, em tom reflexivo e memorialístico, um percurso intelectual marcado pelo pioneirismo nos estudos sociais da ciência e da tecnologia no Brasil. Conta sua trajetória acadêmica — que atravessa a formação na França, a pesquisa sobre a chamada “pré-história da internet” no país, o retorno à UFSC e sua atuação docente desde a década de 1980 — oferecendo uma leitura crítica sobre a produção científica, os sistemas técnicos, os riscos tecnológicos e os limites do determinismo da técnica.
O diálogo aqui compartilhado evidencia as dificuldades institucionais enfrentadas por abordagens na época consideradas marginais no campo da Sociologia, bem como os deslocamentos epistemológicos que sua obra propõe ao articular tecnologia, ciência, poder, cultura e Estado. Ao comentar suas experiências de ensino e formação na graduação, na pós-graduação, na educação a distância, na gestão universitária e na edição científica, a entrevistada ilumina os processos de legitimação do conhecimento e as resistências à incorporação das tecnologias nos espaços educacionais.
Ao longo da entrevista, ganham destaque suas interlocuções com autores centrais da Sociologia contemporânea — como Bruno Latour, Pierre Bourdieu e Anthony Giddens — e sua defesa de uma abordagem não determinista da técnica, atenta à dimensão social, simbólica e política da ciência em construção. Mais do que um relato biográfico, este texto constitui um documento sobre a institucionalização dos estudos de ciência e tecnologia no Brasil, bem como sobre as tensões de gênero, geração e campo disciplinar que atravessam o fazer científico.