UTILIZAÇÃO DE AZITROMICINA NA COVID-19 E RESISTÊNCIA ANTIMICROBIANA

Arquivos de Ciências da Saúde da Unipar

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ISSN: 1982-114X
Editor Chefe: Nelton Anderson Bespalez Corrêa
Início Publicação: 31/01/1997
Periodicidade: Quadrimestral
Área de Estudo: Ciências da Saúde

UTILIZAÇÃO DE AZITROMICINA NA COVID-19 E RESISTÊNCIA ANTIMICROBIANA

Ano: 2026 | Volume: 30 | Número: 2
Autores: Gabriela Pinto Ribeiro, Renata Gomes Carvalho Miguel, Fernanda de Moraes Nava, Priscila Larcher Longo
Autor Correspondente: Gabriela Pinto Ribeiro | gabiribeiro08@yahoo.com

Palavras-chave: Resistência Microbiana a Medicamentos, Azitromicina, COVID-19, Pandemias, SARS-CoV-2, Antimicrobial Drug Resistance, Azithromycin, COVID-19, Pandemics, SARS-CoV-2, Resistencia Microbiana a los Medicamentos, Azitromicina, COVID-19, Pandemias, SARS-CoV-2

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

Introdução: A resistência antimicrobiana (RAM) é caracterizada pela capacidade dos microrganismos de sobreviverem à ação de medicamentos anteriormente eficazes, dificultando o controle das infecções e comprometendo os resultados terapêuticos. Esse fenômeno é impulsionado pelo uso impróprio, frequente ou excessivo de antimicrobianos, favorecendo a seleção de cepas resistentes. Durante a pandemia de COVID-19, observou-se um aumento expressivo na prescrição indevida de antibióticos, com destaque para a azitromicina, amplamente utilizada mesmo na ausência de evidências científicas que comprovassem sua eficácia contra o SARS-CoV-2. Esse uso indiscriminado contribuiu para o agravamento da RAM, consolidando-a como um dos principais desafios atuais da saúde pública global. Metodologia: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, cujo objetivo foi avaliar as mudanças na RAM durante a pandemia de COVID-19 e o papel do uso excessivo de antibióticos no aumento da resistência, com foco na azitromicina. Foram consultadas as bases de dados Medline e BVSALUD, por meio de amostragem intencional, resultando na identificação de 95 artigos, dos quais 7 foram incluídos. Os critérios de inclusão contemplaram estudos que relacionassem a COVID-19 à resistência à azitromicina, sendo excluídas pesquisas com modelos animais. Resultados: Os estudos analisados evidenciam que o uso indiscriminado de antibióticos durante a pandemia, especialmente da azitromicina, contribuiu para o avanço da resistência antimicrobiana, com impacto negativo no tempo de internação hospitalar e no perfil das infecções nosocomiais. Três dos sete estudos incluídos relataram aumento da resistência associado ao uso desse fármaco. Conclusão: A pandemia de COVID-19 acelerou o consumo inadequado de antimicrobianos, evidenciando a necessidade urgente de estratégias voltadas ao monitoramento, à prescrição racional e à restrição da dispensação de antibióticos sem indicação médica.



Resumo Inglês:

Introduction: Antimicrobial resistance (AMR) is characterized by the ability of microorganisms to survive the action of previously effective drugs, complicating infection control and compromising therapeutic outcomes. This phenomenon is driven by the inappropriate, frequent, or excessive use of antimicrobials, favoring the selection of resistant strains. During the COVID-19 pandemic, there was a significant increase in the inappropriate prescription of antibiotics, particularly azithromycin, which was widely used despite the lack of scientific evidence supporting its efficacy against SARS-CoV-2. This indiscriminate use contributed to the worsening of AMR, consolidating it as one of the major current challenges to global public health. Methodology: This narrative literature review aimed to evaluate changes in AMR during the COVID-19 pandemic and the role of excessive antibiotic use in the increase of resistance, with a focus on azithromycin. The Medline and BVSALUD databases were consulted using intentional sampling, resulting in 95 identified articles, of which 7 were included. Inclusion criteria comprised studies that linked COVID-19 to azithromycin resistance, while animal studies were excluded. Results: The analyzed studies indicate that the indiscriminate use of antibiotics during the pandemic, especially azithromycin, contributed to the progression of antimicrobial resistance, negatively affecting hospital length of stay and the profile of hospital-acquired infections. Three of the seven included studies reported an increase in resistance associated with the use of this drug. Conclusion: The COVID-19 pandemic accelerated inappropriate antimicrobial consumption, highlighting the urgent need for strategies to monitor, regulate, and restrict antibiotic prescription and dispensing without medical indication.



Resumo Espanhol:

Introducción: La resistencia a los antimicrobianos (RAM) se caracteriza por la capacidad de los microorganismos para sobrevivir a la acción de medicamentos anteriormente eficaces, dificultando el control de las infecciones y comprometiendo los resultados terapéuticos. Este fenómeno es impulsado por el uso inapropiado, frecuente o excesivo de antimicrobianos, lo que favorece la selección de cepas resistentes. Durante la pandemia de COVID-19, se observó un aumento significativo en la prescripción indebida de antibióticos, especialmente de la azitromicina, ampliamente utilizada incluso en ausencia de evidencia científica que demostrara su eficacia contra el SARS-CoV-2. Este uso indiscriminado contribuyó al agravamiento de la RAM, consolidándola como uno de los principales desafíos actuales de la salud pública global. Metodología: Se realizó una revisión narrativa de la literatura con el objetivo de evaluar los cambios en la RAM durante la pandemia de COVID-19 y el papel del uso excesivo de antibióticos en el aumento de la resistencia, con énfasis en la azitromicina. Se consultaron las bases de datos Medline y BVSALUD mediante muestreo intencional, identificándose 95 artículos, de los cuales 7 fueron incluidos. Los criterios de inclusión consideraron estudios que relacionaran la COVID-19 con la resistencia a la azitromicina, excluyéndose investigaciones con modelos animales. Resultados: Los estudios analizados evidencian que el uso indiscriminado de antibióticos durante la pandemia, especialmente la azitromicina, contribuyó al avance de la resistencia a los antimicrobianos, influyendo negativamente en la duración de la hospitalización y en el perfil de las infecciones nosocomiales. Tres de los siete estudios incluidos reportaron un aumento de la resistencia asociado al uso del fármaco. Conclusión: La pandemia de COVID-19 aceleró el consumo inadecuado de antimicrobianos, lo que pone de manifiesto la necesidad urgente de implementar acciones para monitorear y restringir su prescripción y dispensación sin indicación médica.