O aumento no número de idosos na população brasileira coloca em pauta a necessidade de investigações sobre a pluralidade do envelhecer, incorporando a essa temática discussões sobre gênero e sexualidade nesta etapa da vida. A presente pesquisa teve como objetivo analisar as percepções sobre a trajetória de vida de mulheres idosas e lésbicas. Trata-se de um estudo de campo com metodologia de base qualitativa. Participaram da pesquisa três mulheres lésbicas idosas, associadas a uma organização sem fins lucrativos localizada na região metropolitana de São Paulo. Foram realizadas entrevistas semidirigidas com perguntas sobre a trajetória de envelhecimento das participantes. Os dados foram analisados a partir do procedimento de análise de conteúdo. Os resultados revelam que as participantes tiveram muitas dificuldades na auto aceitação da lesbianidade e diferentes desafios em viver suas relações afetivo-sexuais ao longo da vida. Foi observado que as atuais condições sociais e financeiras conquistadas na velhice possibilitam uma maior liberdade e autonomia para viver suas relações, sendo destacado também a importância das ONGs e do amparo social nesta etapa da vida.