Pretendo abordar, no presente artigo, a questão complexa do processo de canonização estético-literário, a partir do conceito tradicional de história literária, com o intuito, ao longo da minha
reflexão, de elaborar um conceito inovador sobre a história literária em vigor, um conceito que fugiria, talvez, da rigidez do cânone literário existente. A tarefa que me imponho requer uma mudança de ótica e de visão do mapa-múndi das literaturas, tomando o termo de José Lambert, em busca de autonomia intelectual, de liberdade de escolha, de leitura e de pensamento crítico. A
problemática inicial consiste principalmente em saber quais elementos contribuem à canonização, à decanonização ou à recontextualização das obras literárias, especifi camente das escritoras francesas do século das Luzes, da Revolução Francesa. Portanto, minha contribuição diz respeito à fortuna crítica de textos de escritoras francesas clássicos do século XVIII no Brasil invisibilizadas pelo legado literário-cultural do sistema francês. Trata-se, não somente de redimensionar o cânone das obras literárias francesas do século XVIII na França e no Brasil, mas também de analisar a tradução literária e seu processo.