Este artigo examina como a temática da “família” foi incorporada às políticas científicas do governo Bolsonaro, com foco nos editais de pesquisa “Família e Políticas Públicas no Brasil”, lançados em 2021 e 2022 pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), em parceria com a CAPES. A partir de uma análise etnográfica dos editais e dos discursos de atores políticos do governo sobre essas iniciativas, o estudo explora o uso da categoria “vínculos familiares” na formulação e execução dessas políticas de pesquisa. Sustentamos que, por um lado, a implementação de uma agenda familista como política científica representou uma tentativa de “cientifização” da agenda antigênero, por meio da mobilização da categoria “vínculos familiares” em pesquisas financiadas pela CAPES. Por outro lado, a análise sugere que, embora frequentemente interpretada como uma “pauta moral”, a centralidade da família nessas políticas desempenhou um papel significativo no aprofundamento das estratégias de neoliberalização do Estado durante a gestão Bolsonaro.