Pirataria no continente africano: os casos do Golfo da Guiné e do Golfo de Áden

Revista da Escola de Guerra Naval

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ISSN: 1809-3191
Editor Chefe: Walter Maurício Costa de Miranda
Início Publicação: 30/09/1968
Periodicidade: Quadrimestral
Área de Estudo: Multidisciplinar

Pirataria no continente africano: os casos do Golfo da Guiné e do Golfo de Áden

Ano: 2025 | Volume: 31 | Número: 2
Autores: Gabriela Gampe Bonness, Vinicius Zanchin Baldissera, Lucca Medeiros da Silva
Autor Correspondente: Gabriela Gampe Bonness | 321@gmail.com.br

Palavras-chave: Golfo da Guiné. Golfo de Áden Pirataria Segurança Marítima. Presença Extrarregional

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

O presente trabalho analisa a pirataria no Golfo de Áden e no Golfo da Guiné, destacando como a insegurança marítima em ambas as regiões é influenciada por fatores geopolíticos, econômicos e institucionais. A partir de uma abordagem qualitativa e do campo da Segurança Internacional, considerando a visão brasileira de que a pirataria é uma ameaça à soberania estatal, investiga-se como os Estados e as organizações regionais dessas regiões incorporam o fenômeno da pirataria em suas agendas políticas e de segurança diante de contexto geopolíticos distintos, bem como os mecanismos utilizados para seu enfrentamento. Observa-se que, enquanto no Golfo de Áden o colapso do Estado somali gerou uma resposta internacional militarizada, no Golfo da Guiné prevalece uma lógica de cooperação regional, sobretudo por meio da Comissão do Golfo da Guiné e da Arquitetura de Yaoundé. A pesquisa conclui que a pirataria, para além de uma ameaça à navegação e ao comércio global, é também um fenômeno que reflete disputas de poder e desafios à soberania estatal em contextos de vulnerabilidade estrutural. A análise mostra a importância de iniciativas coordenadas — locais, regionais e internacionais — como forma de enfrentamento a esse problema transnacional.



Resumo Inglês:

The study analyzes piracy in the Gulf of Aden and the Gulf of Guinea, highlighting how maritime insecurity in these regions stems from geopolitical, economic, and institutional factors. Using a qualitative approach within the field of International Security, and considering the Brazilian perspective that piracy poses a threat to State sovereignty, thecentral question is: how do the States and regional organizations of these geopolitical spaces incorporate the phenomenon of piracy into their agendas, and what mechanisms does each region employ to combat it? It is observed that while in the Gulf of Aden the collapse of the Somali State triggered a heavily militarized international response, in the Gulf of Guinea a logic of regional cooperation predominates, particularly through the Gulf of Guinea Commission and the Yaoundé Architecture. The hypothesis holds that, despite the similarity of the problem, the approaches diverge: in the South Atlantic, under ZOPACAS, local solutions prevail and external involvement is largely limited to training, whereas in the Indian Ocean, piracy is not addressed in an integrated manner, enabling an intense extraregional military presence. The study concludes that piracy, in addition to threatening global navigation, reflects power disputes and challenges to sovereignty, thus requiring coordinated initiatives at different levels to effectively address it.