O aprazamento de prescrições médicas é uma das atividades mais críticas e recorrentes na rotina hospitalar, incumbindo diretamente à equipe de enfermagem a responsabilidade de planejar os horários e garantir a administração segura de medicamentos.1 A transição para sistemas de prescrição eletrônica representa uma evolução tecnológica significativa, prometendo maior eficiência e, sobretudo, a redução de erros inerentes à ilegibilidade e à comunicação manual.2 No entanto, essa mudança não simplifica o papel do profissional de enfermagem; ao contrário, ela o reconfigura, elevando as dimensões ética, moral e legal da prática. Este relatório analisa de forma aprofundada a complexa intersecção entre a tecnologia e o cuidado de enfermagem, concluindo que o aprazamento eletrônico exige uma nova camada de competências. O profissional de enfermagem não atua mais como um mero decifrador ou executor, mas como um gestor de riscos, um auditor de sistemas e um guardião da segurança digital do paciente. A tecnologia é uma ferramenta poderosa, mas a bússola ética e o discernimento clínico do enfermeiro permanecem como a última e mais crucial barreira de proteção. O arcabouço normativo do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) tem evoluído para acompanhar essa transformação, com resoluções que validam juridicamente os registros eletrônicos e impõem novas exigências, como a assinatura digital qualificada, reforçando a responsabilidade individual e institucional na era digital.