O médico veterinário precisa seguir diversos critérios antes de prescrever antibacterianos, e um dos fundamentos é selecionar a posologia correta com base na literatura especializada. Ocasionalmente, utiliza-se a posologia recomendada nas bulas, e diversos profissionais relatam discrepância entre a posologia das bulas e o que se recomenda na literatura. Assim, o objetivo deste estudo foi comparar a posologia apresentada nas bulas de antibacterianos da linha veterinária com a posologia recomendada na literatura científica atualizada. Foram analisadas as bulas de todos os antibacterianos produzidos pelos laboratórios associados ao Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Saúde Animal (SINDAN) indicados para uso sistêmico em cães, gatos, equinos e bovinos. Observou-se que o percentual de observações com bulas que apresentavam posologia concordante com a literatura consultada foi de 50,0% para cães, 54,2% para gatos, 3,8% para equinos e 23,6% para bovinos. Do total de observações de antibacterianos da linha veterinária produzidos por laboratórios associados ao SINDAN, 32% apresentam dose e intervalo concordantes com a literatura consultada, o que pode favorecer o efeito terapêutico esperado; 35% combinam dose abaixo e/ou intervalo acima da referência, o que pode favorecer a resistência bacteriana, uma questão relevante para a saúde pública; 5% combinam dose acima e/ou intervalo abaixo da referência, o que pode causar intoxicação iatrogênica; e 28% apresentam outras combinações, com efeito indefinido. Essas possíveis consequências não foram avaliadas diretamente neste estudo. Conclui-se que a maioria das bulas dos antibacterianos da linha veterinária produzidos por laboratórios associados ao SINDAN no Brasil apresenta divergências na posologia em relação ao que recomenda a literatura consultada. O tipo de divergência mais frequente foi uma combinação de dose abaixo e/ou intervalo acima da referência, padrão que pode favorecer a resistência bacteriana caso essa associação seja confirmada por estudos que avaliem diretamente esse desfecho.
Veterinarians must follow several criteria before prescribing antibacterials, and one fundamental step is selecting the correct dosage from specialized literature. Occasionally, professionals use the dosage recommended in the package insert, but several report discrepancies between the package insert and the dosage recommended in the literature. Thus, the aim of this study was to compare the dosage presented in package inserts of antibacterials from the veterinary line with the dosage recommended in the updated scientific literature. Package inserts of all antibacterials produced by laboratories associated with the National Union of Animal Health Products Industry (SINDAN) indicated for systemic use in dogs, cats, horses, and cattle were analyzed. The percentage of observations with inserts showing dosage concordant with the consulted reference literature was 50.0% for dogs, 54.2% for cats, 3.8% for horses, and 23.6% for cattle. Of the total observations of veterinary line antibacterials produced by SINDAN-affiliated laboratories, 32% present a dose and interval concordant with the consulted literature, which may favor the expected therapeutic effect; 35% combine a dose below and/or an interval above the reference, which may favor bacterial resistance, a relevant issue for public health; 5% combine a dose above and/or an interval below the reference, which may cause iatrogenic intoxication; and 28% present other combinations, with an undefined effect. These possible consequences were not evaluated directly in this study. Most package inserts of antibacterials from the veterinary line produced by SINDAN-affiliated laboratories in Brazil show divergences in posology compared with the consulted reference literature. The most frequent type of divergence identified was a combination of dose below and/or interval above the reference, a pattern that could favor bacterial resistance if this association is confirmed by studies directly assessing this outcome.
El médico veterinario debe seguir diversos criterios antes de prescribir antibacterianos, y uno de los fundamentos es seleccionar la posología correcta a partir de la literatura especializada. Ocasionalmente, se utiliza la posología recomendada en los prospectos (bulas), y diversos profesionales reportan discrepancias entre la posología indicada en dichos prospectos y la recomendada en la literatura científica. Así, el objetivo de este estudio fue comparar la posología indicada en los prospectos de antibacterianos de la línea veterinaria con la posología recomendada en la literatura científica actualizada. Se analizaron los prospectos de todos los antibacterianos producidos por los laboratorios asociados al Sindicato Nacional de la Industria de Productos para la Salud Animal (SINDAN), indicados para uso sistémico en perros, gatos, equinos y bovinos. Se observó que el porcentaje de observaciones con prospectos que presentaban una posología concordante con la literatura consultada fue de 50,0% en perros, 54,2% en gatos, 3,8% en equinos y 23,6% en bovinos. Del total de observaciones de antibacterianos de la línea veterinaria producidos por laboratorios asociados al SINDAN, el 32% presentan dosis e intervalo concordantes con la literatura consultada, lo que puede favorecer el efecto terapéutico esperado; el 35% combinan dosis por debajo y/o intervalo por encima de la referencia, lo que puede favorecer la resistencia bacteriana, una cuestión relevante para la salud pública; el 5% combinan dosis por encima y/o intervalo por debajo de la referencia, lo que puede causar intoxicación iatrogénica; y el 28% presentan otras combinaciones, con efecto indefinido. Estas posibles consecuencias no fueron evaluadas directamente en este estudio. Se concluye que la mayoría de los prospectos de los antibacterianos de la línea veterinaria producidos por laboratorios asociados al SINDAN en Brasil presentan divergencias en la posología respecto de lo recomendado en la literatura consultada. El tipo de divergencia más frecuente fue la combinación de dosis por debajo y/o intervalo por encima de la referencia, patrón que podría favorecer el desarrollo de resistencia bacteriana si esta asociación se confirma en estudios que evalúen directamente este desenlace.