Você já deve ter se perguntado: quantas vezes as crianças desenham uma árvore ou uma casa, até que notadamente percebemos que é sempre o mesmo formato de árvore e de casa? Essa questão, aparamente simples, nos leva direto à raiz de uma tensão fundamental presente no cotidiano escolar: a relação complexa entre o que é repetição e o que é realmente criação, entre o que é uma experiência genuína e uma reprodução estereotipada que observamos durante longos anos. Podemos observar, concomitantemente, um território ainda pouco explorado, mas que vem ganhando força com alguns educadores: o das práticas educativas com intencionalidades pedagógicas que compreendem a arte contemporânea como solo fértil no diálogo entre arte e infâncias. Particularmente nessa interação entre a arte e as crianças, o produto final tem menos importância que o processo criativo, sendo este um percurso de investigação sensível e eixo significativo nas vivências com as crianças. A proposta reflexiva apresentada aqui, surge da inquietação frente às práticas repetitivas que encontramos nas interações artísticas na educação infantil. Mesmo que bem-intencionadas, com muita frequência elas subestimam tanto a potência criativa da criação infantil quanto a complexidade das linguagens artísticas da arte contemporânea frente a intencionalidades pedagógicas existentes.