Branco Sai, Preto Fica? Rappers brancos nos EUA, apropriação e o roteiro do descobrimento

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ISSN: 1807-8583
Editor Chefe: Thais Helena Furtado
Início Publicação: 01/01/1997
Periodicidade: Mensal
Área de Estudo: Comunicação

Branco Sai, Preto Fica? Rappers brancos nos EUA, apropriação e o roteiro do descobrimento

Ano: 2026 | Volume: 0 | Número: 58
Autores: Mário Augusto Oliveira Monteiro Rolim
Autor Correspondente: Mário Augusto Oliveira Monteiro Rolim | marioaugusto199301@gmail.com

Palavras-chave: rap, estudos culturais, performance, comunicação, apropriação cultural

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

Este artigo tem como objetivo debater questões relacionadas a tentativas de apropriação cultural do rap por artistas brancos a partir de uma consideração sobre os sucessos e insucessos dos oito rappers brancos mais bem-sucedidos na década de 2010 nos Estados Unidos: Eminem, Iggy Azalea, Macklemore, Mac Miller, G-Eazy, Post Malone, Logic e Machine Gun Kelly. Aponta-se que artistas brancos que se apropriaram da música negra nos Estados Unidos tiveram seus comportamentos (e reações a eles) enquadrados pelo roteiro do descobrimento, em que uma figura branca exploradora se depara com um território desbravado povoado de figuras “exóticas” e se põe a explorar os vastos recursos desse território, desconsiderando os “nativos” indefesos. Analisando as controvérsias em torno desses rappers, vê-se que esse roteiro ainda é ativado no gênero, mas com menos eficácia que em outros gêneros “apropriados” como rock, blues e jazz, seja pela fugacidade do sucesso desses rappers brancos, por eles tentarem se colocar como “aliados” ou por abandonar esses territórios rumo a paragens mais próximas de casa. A partir daí, se discutem as diferenças no ecossistema midiático entre meados do século XX e o presente, o status do rap como música negra e a utilidade do papel de tradutor desempenhado pelos rappers brancos.



Resumo Inglês:

This article aims to discuss issues related to attempts at cultural appropriation of rap by white artists, based on an examination of the successes and failures of the eight most successful white rappers in the United States during the 2010s: Eminem, Iggy Azalea, Macklemore, Mac Miller, G-Eazy, Post Malone, Logic, and Machine Gun Kelly. It argues that white artists who have appropriated Black music in the U.S. have had their behaviors (and the reactions to them) framed by the “discovery script,” in which a white explorer figure encounters an already-inhabited, “exotic” land and proceeds to exploit its abundant resources while disregarding the defenseless “natives.” An analysis of the controversies surrounding these rappers reveals that this script still operates within the genre, though with less effectiveness than in other “appropriated” genres such as rock, blues, and jazz. This diminished efficacy may be due to the fleeting success of these white rappers, their attempts to present themselves as “allies,” or their eventual retreat to territories closer to home. From this perspective, the article discusses differences in the media ecosystem between the mid-20th century and today, the status of rap as Black music, and the usefulness of the translator role played by white rappers.