Este artigo analisa a cidade de Vitória da Conquista (BA) a partir da noção de “camadas de memória”, e evidencia como a paisagem urbana expressa disputas entre preservação e uso do espaço. A pesquisa baseou-se em levantamento bibliográfico, análise documental e registros fotográficos. O estudo concentrou-se em dois eixos: a arquitetura histórica do centro e a Lagoa das Bateias. No primeiro, a ausência de políticas de preservação favorece a substituição de casas antigas por prédios, com consequente apagamento de referências culturais. No segundo, verificou-se que, apesar das revitalizações recentes, a lagoa permanece marcada por problemas ambientais relacionados ao saneamento e à pressão urbana. Conclui-se que Vitória da Conquista exemplifica como cidades médias brasileiras reúnem diferentes temporalidades em sua configuração espacial e confirma que a preservação do patrimônio constitui processo em permanente disputa.