Este artigo trata da construção do Estado da Etiópia pós-1991, promovida pela Frente Democrática Revolucionária do Povo Etíope (EPRDF), um movimento guerrilheiro que se tornou construtor do Estado. A EPRDF conquistou o poder do Estado em 1991, introduziu o federalismo e reestruturou o Estado de acordo com as linhas étnicas para responder às questões das nacionalidades. A Etiópia criou o federalismo para compartilhar o poder constitucional com os estados regionais, embora apenas teoricamente. Uma análise crítica do exercício federal da Etiópia mostrou que a EPRDF não compartilhou o poder com as unidades componentes de acordo com a prática do federalismo. Em vez disso, ela reincorporou a centralização autoritária do poder sob o disfarce do federalismo. Um regime que se autoproclamava defensor do reconhecimento, do autogoverno e da autonomia das nações oprimidas acabou se tornando autoritário e caracterizado como um dos governos mais altamente centralizados que o país já viu. Uma abordagem qualitativa exploratória foi empregada para examinar os fatores que contribuíram para o aumento do autoritarismo e a recentralização do poder em uma Etiópia de jure federalizada na segunda república. Os resultados indicaram que a EPRDF implementou uma combinação de políticas pragmáticas e de orientação ideológica para construir a Etiópia. Dessa forma, a democracia revolucionária, o partido dominante, o federalismo étnico, o modelo de Estado desenvolvimentista, a burocracia politizada, o arranjo familiar de 1 a 5, a cultura política da Etiópia, a retirada da oposição, a luta contra o terrorismo e a determinação da EPRDF em repetir as estratégias e disciplinas do tempo de guerra para a construção do Estado contribuíram para a reencarnação autoritária e a recentralização do poder.
This article deals with post-1991 Ethiopia’s state-building crafted by the Ethiopian People’s Revolutionary Democratic Front (EPRDF), a guerrilla movement turned state-builder. EPRDF captured state power in 1991, introduced federalism, and restructured the state along ethnic lines to answer the nationalities’ questions. Ethiopia designed federalism to share constitutional power with regional states, albeit theoretically. A critical review of Ethiopia’s federal exercise showed that EPRDF did not share power with component units per federalism’s praxis. Rather, it reincarnated authoritarian power centralisation under the guise of federalism. A regime that claimed to be a champion of addressing oppressed nations’ quest for recognition, self-rule, and autonomy ended up being authoritarian and characterized as one of the most highly centralized governments the country has ever seen. A qualitative exploratory approach was employed to examine what factors contributed to the creeping of authoritarianism and power re-centralisation in a de jure federalized Ethiopia’s second republic. The findings indicated that EPRDF implemented a combination of ideologically-oriented cum pragmatic policies to build Ethiopia. Accordingly, revolutionary democracy, dominant party, ethnic federalism, developmental state model, politicized bureaucracy, 1-5 household arrangement, Ethiopia’s political culture, the opposition’s withdrawal, the fight against terrorism, and EPRDF’s determination to repeat wartime strategies and disciplines to state-building contributed to authoritarian reincarnation and power re-centralisation.