O Delta do Níger é um dos territórios mais voláteis da Nigéria, moldado por décadas de militância, devastação ecológica e uma série de intervenções de desenvolvimento que não conseguiram alcançar uma paz sustentável. Embora uma parcela significativa da literatura tenha abordado a economia política da extração de petróleo, a fragilidade do Estado e o Programa Presidencial de Anistia (Presidential Amnesty Programme – PAP), relativamente pouca atenção tem sido dedicada a como as comunidades do Delta conceituam a paz e a como podem colocar esse conceito em prática. Este artigo busca preencher essa lacuna ao focar em práticas endógenas de construção da paz, mais enraizadas no contexto local, que priorizam a inclusão, a responsabilização, a diversificação dos meios de subsistência e a restauração ecológica como pilares centrais. O artigo utiliza a Teoria das Necessidades Humanas, segundo a qual os conflitos persistem em contextos nos quais direitos humanos fundamentais — nomeadamente segurança, identidade, participação e desenvolvimento — são sistematicamente negados. O estudo adota um desenho qualitativo, com dados primários coletados de forma sistemática por meio de entrevistas semiestruturadas. Os dados foram codificados no NVivo, e os resultados triangulados com dados secundários. Os achados empíricos sugerem que a paz não se resume à ausência de violência, mas constitui uma interação dinâmica entre processos inter-relacionados, incluindo o envolvimento das partes interessadas, o diálogo contínuo, a governança aberta e a justiça ambiental. O estudo enfatiza que as intervenções estatais são politizadas e frequentemente carecem de transparência. Paralelamente, práticas locais de segurança e as consequências socioeconômicas e de gênero da militância evidenciam os efeitos complexos do conflito sobre o bem-estar das comunidades. Os participantes também apresentaram recomendações de políticas públicas baseadas na comunidade, com foco na diversificação dos meios de subsistência, no empoderamento da juventude, no planejamento orientado por necessidades e na restauração ambiental.
The Niger Delta is one of the most volatile territories in Nigeria, shaped by decades of militancy, ecological devastation, and a series of development interventions that have not achieved sustainable peace. Although a significant amount of literature has addressed the political economy of oil extraction, state fragility, and the Presidential Amnesty Programme (PAP), relatively little attention has been given to how the communities of the Delta theorize the concept of peace and how these communities can put such a concept into practice. This paper attempts to fill this gap by focusing on endogenous peacebuilding practices that are more locally based and prioritize inclusion, accountability, livelihood diversification, and ecological restoration as pillars. The paper utilizes the Human Needs theory, which posits that conflict persists in situations where fundamental human rights, namely security, identity, participation, and development, are systematically deprived. The study employs a qualitative design, with primary data collected systematically through semi-structured interviews. The data were coded using NVivo, and the results are triangulated with secondary data. The empirical findings suggest that peace is not merely the absence of violence, but a dynamic interplay among interrelated processes, including stakeholder involvement, ongoing dialogue, open governance, and environmental justice. It stresses that state-based interventions are politicized and often lack transparency. Meanwhile, localised security practices and socio-economic and gendered consequences of militancy highlight the complex effects of conflict on the well-being of communities. Participants also proffered community-based policy recommendations that focus on livelihood diversification, empowering the youth, needs-based planning, and environmental restoration.