A obra de Émile Durkheim ocupa lugar central na constituição da Sociologia ao oferecer categorias analíticas fundamentais para a compreensão dos fatos sociais, da normatividade e dos processos de integração e regulação social. Contudo, diante das transformações das sociedades contemporâneas, marcadas por desigualdades estruturais, precarização do trabalho e normatividades excludentes, coloca-se o problema da suficiência explicativa da teoria durkheimiana para a análise dos fenômenos sociais atuais. O objetivo deste trabalho é analisar criticamente as contribuições centrais de Durkheim, com ênfase nos conceitos de fato social, anomia e suicídio, destacando sua atualidade e seus limites frente às questões sociais contemporâneas. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter teórico-bibliográfico, fundamentada na análise de obras clássicas de Durkheim, em diálogo com a reformulação do conceito de anomia proposta por Robert K. Merton e com contribuições críticas contemporâneas oriundas da teoria social, do campo do trabalho e dos estudos de gênero e sexualidade. Os resultados indicam que, embora o legado durkheimiano permaneça fundamental para a compreensão dos processos coercitivos e normativos da vida social, suas categorias demandam atualização crítica para apreender desigualdades, conflitos e relações de poder presentes nas sociedades capitalistas contemporâneas.