Este artigo consiste em um relato de experiência, no qual busco compartilhar as práticas pedagógicas vivenciadas no ano de 2021, no contexto da escrita, e os desafios associados à implementação de uma práxis de natureza crítica durante os tempos de pandemia. Para tanto, é imprescindível elevar a abordagem pandêmica não apenas à dimensão da organicidade ─ biológica/natural ─, mas também enfrentar sua faceta política ─ no âmbito da microfísica do poder, no plano da imanência. Dessa maneira, busco analisar o problema em suas dimensões macro e micropolíticas, as quais se entrelaçam continuamente, evidenciando a constatação de que tudo é político, inclusive o ensino e a educação. As reflexões presentes neste trabalho permeiam a experiência pedagógica e as limitações dos campos teóricos e práticos que fundamentam a perspectiva metodológica deste resumo. Por fim, destacam-se como questões-problemas centrais deste manuscrito as seguintes indagações: Como conceber uma práxis pedagógica que confronte as diferenças e proporcione um ambiente de ensino e educação no contexto histórico-material, onde os fundamentos significativos de liberdade conduzem à conscientização em prol da transformação do mundo? Em um ambiente virtual, como pode ocorrer a formação de um corpo de escritores em evolução e crítico? Desta forma, apresentam-se os desafios cruciais que pretendo abordar nas entrelinhas deste trabalho. Todas as experiências de ensino e educação aqui discutidas envolvem interações com corpos marginalizados; trata-se de um relato de um professor negro em relação a estudantes mulheres, travestis, minorias sexuais e pessoas em condições socioeconômicas vulneráveis. Compartilho essas experiências a partir desta perspectiva. O reconhecimento desse entrelaçamento constitui o primeiro gesto crítico em ação.