A educação inclusiva consolidou-se, nas últimas décadas, como um dos eixos centrais das políticas educacionais contemporâneas, articulando-se diretamente ao princípio da justiça social e ao reconhecimento da educação como direito humano fundamental. Nesse contexto, o presente artigo analisa a relação estrutural entre educação inclusiva e justiça social, considerando os desafios históricos, políticos e pedagógicos que permeiam a construção de sistemas educacionais capazes de acolher a diversidade humana. Parte-se do entendimento de que a inclusão não se limita ao acesso formal à escola, mas implica a transformação das estruturas institucionais, das práticas pedagógicas e das concepções de aprendizagem que historicamente produziram exclusão. Argumenta-se que a educação inclusiva representa um paradigma educacional comprometido com a democratização do conhecimento e com a superação das desigualdades estruturais que atravessam os sistemas educacionais. Contudo, observa-se que a efetivação desse paradigma ainda enfrenta entraves significativos, tais como a insuficiência de recursos institucionais, lacunas na formação docente e a persistência de concepções meritocráticas que reforçam processos de exclusão. Conclui-se que a consolidação de sistemas educacionais verdadeiramente inclusivos depende da articulação entre políticas públicas, práticas pedagógicas transformadoras e uma compreensão ampliada da justiça social como princípio orientador da educação contemporânea.