Este artigo analisa as metáforas visuais de caráter memorialista presentes no filme Boi de Lágrimas (2018), dirigido por Frederico Machado, a partir do conceito de imagem-recordação, compreendido como ponto de convergência entre imagens audiovisuais e a temática da memória. A obra cinematográfica constrói uma narrativa marcada por forte dimensão poética e por uma expressiva economia de diálogos, mobilizando recursos visuais e sonoros para representar o contexto político das manifestações ocorridas no Brasil em 2018. Nesse sentido, o filme articula memória, identidade cultural e experiência social por meio de uma linguagem cinematográfica que aproxima registros documentais e ficcionais. O estudo desenvolve-se a partir da análise de três metáforas visuais recorrentes na narrativa — “o passado é preto e branco”, “o passado é velho” e “o presente é reflexo do passado” —, observadas em diferentes dispositivos imagéticos presentes no enredo e no discurso político e poético da obra. A partir dessa análise, busca-se compreender de que maneira tais construções metafóricas contribuem para a elaboração de um discurso memorialista e para a produção de efeitos de sentido que relacionam memória coletiva, história e experiência social.