Entre a proteção formal e a vulnerabilidade real: a aplicação da Lei Maria da Penha às mulheres indígenas na Amazônia rondoniense

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ISSN: 2965-2634
Editor Chefe: Avaetê de Lunetta e Rodrigues Guerra
Início Publicação: 03/04/2023
Periodicidade: Trimestral
Área de Estudo: Multidisciplinar

Entre a proteção formal e a vulnerabilidade real: a aplicação da Lei Maria da Penha às mulheres indígenas na Amazônia rondoniense

Ano: 2026 | Volume: 4 | Número: 4
Autores: Isaac Nilton Parente da Silva, Lucas David Melo de Oliveira, Maria Nazira Oliveira Magalhães, João Baraldi Neto, André Luiz de Oliveira Verdi-Brum, Thiago Barisson de Mello Oliveira, Christian Norimitsu Ito
Autor Correspondente: Isaac Nilton Parente da Silva | contato@revistaowl.com.br

Palavras-chave: mulheres indígenas, violência de gênero, Lei Maria da Penha, interculturalidade, acesso à justiça

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

O presente artigo analisa os limites e as possibilidades de efetivação da Lei Maria da Penha na proteção de mulheres indígenas no estado de Rondônia, com enfoque nos municípios de Porto Velho e Guajará-Mirim. Parte-se da compreensão de que a violência de gênero contra mulheres indígenas apresenta especificidades decorrentes da articulação entre desigualdades de gênero, colonialidade, vulnerabilidade territorial e insuficiência das estruturas estatais de proteção. A pesquisa objetiva examinar de que forma fatores históricos, culturais e territoriais impactam a aplicação da Lei nº 11.340/2006 em contextos indígenas, bem como investigar os efeitos da invisibilidade estatística e da ausência de dados étnico-raciais na formulação de políticas públicas e na garantia de acesso à justiça. Adota-se abordagem qualitativa, de natureza exploratória, bibliográfica e documental, aliada à análise quantitativa descritiva de registros de violência doméstica atendidos pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI Porto Velho) entre os anos de 2022 e 2025. Os dados foram sistematizados em quadro-resumo, permitindo a identificação de padrões etários, territoriais e tipológicos da violência. Os resultados evidenciam a persistência de obstáculos institucionais, territoriais e interculturais que comprometem a efetividade material da proteção jurídica às mulheres indígenas, além de revelarem processos de subnotificação, invisibilidade institucional e fragilidade das redes de proteção estatal. Conclui-se que a efetivação da Lei Maria da Penha em contextos indígenas demanda políticas públicas territorializadas, formação intercultural dos agentes estatais, aprimoramento dos mecanismos de produção de dados e fortalecimento de estratégias institucionais capazes de assegurar proteção integral às mulheres indígenas no contexto amazônico.