O presente artigo discute os impactos do uso excessivo de telas e da hiperestimulação digital na capacidade de concentração de crianças do Ensino Fundamental I, com ênfase no processo de alfabetização e aprendizagem escolar. Em uma sociedade marcada pela presença constante de dispositivos eletrônicos, estímulos rápidos e consumo imediato de informações, observa-se um aumento significativo das dificuldades de atenção, permanência em atividades e organização cognitiva entre estudantes das séries iniciais. O estudo adota abordagem qualitativa, de caráter bibliográfico e exploratório, fundamentando-se em pesquisas das áreas da neurociência, psicologia do desenvolvimento e educação. A análise evidencia que a exposição prolongada a conteúdos digitais dinâmicos pode interferir no desenvolvimento das funções executivas, especialmente atenção sustentada, memória de trabalho e controle inibitório, habilidades essenciais para o processo de alfabetização. Além disso, o artigo discute os desafios enfrentados pela escola e pelas famílias diante das mudanças no comportamento infantil contemporâneo. Conclui-se que a dificuldade de concentração não deve ser compreendida apenas como desinteresse ou indisciplina, mas como um fenômeno complexo, influenciado por fatores neurológicos, emocionais e ambientais, exigindo estratégias pedagógicas mais conscientes e equilibradas no contexto escolar.