O presente artigo analisa as tensões entre os modelos clínico-patológico e socioantropológico da surdez, investigando como as epistemologias surdas fundamentam novas práticas pedagógicas e identitárias. O objetivo central é discutir a importância da língua de sinais na constituição do sujeito surdo e problematizar as barreiras históricas que impedem sua autonomia intelectual e cultural, propondo uma descolonização do saber na educação especial. A metodologia adotada consiste em uma revisão bibliográfica de cunho qualitativo e analítico, fundamentada em autores como Quadros, Perlin, Skliar e Strobel, que sustentam a transição da visão de "deficiência" para a de “diferença linguística e cultural”. Os resultados indicam que a língua de sinais é o núcleo ontológico da identidade surda, transcendendo a função comunicativa para estruturar o pensamento e a produção de conhecimento através da visualidade. O estudo destaca a educação bilíngue como requisito indispensável para o desenvolvimento cognitivo pleno, combatendo a privação linguística imposta por modelos oralistas. Conclui-se que a afirmação das epistemologias surdas e o protagonismo de pesquisadores surdos são atos políticos essenciais para romper com o “ouvintismo” e promover uma sociedade que valorize a diversidade visual-espacial como uma manifestação legítima da pluralidade humana.