Este artigo analisa o projeto Erês Brincantes, desenvolvido no âmbito da Rede Municipal de Ensino de São Paulo, com foco na Educação Infantil, discutindo seus fundamentos pedagógicos, sua intencionalidade formativa e suas contribuições para a promoção de práticas antirracistas e de pertencimento desde a primeira infância. O projeto se materializa, entre outras frentes, pela distribuição de kits de bonecos e bonecas com diversidade étnico-racial às unidades de Educação Infantil, acompanhados de orientações de uso e ações formativas, com a finalidade de fomentar o brincar genuíno, ampliar repertórios culturais e fortalecer a identidade das crianças no cotidiano escolar. No contexto de políticas curriculares e de formação, o Erês Brincantes se articula às diretrizes municipais voltadas à Educação para as Relações Étnico-Raciais, contribuindo para que a representatividade não seja tratada como evento pontual, mas como eixo permanente do currículo vivido. Metodologicamente, o texto se desenvolve como estudo teórico-analítico, com base em documentos públicos e comunicados institucionais da SME-SP, complementados por literatura acadêmica sobre infância, brinquedos, socialização, cultura, racismo estrutural e educação antirracista. Discute-se o potencial dos bonecos como artefatos culturais que sustentam narrativas identitárias e experiências simbólicas de cuidado, família, corpo e pertença, bem como o papel do professor como mediador das interações e do brincar. Conclui-se que no Erês Brincantes pode operar como dispositivo pedagógico de transformação cotidiana ao integrar representatividade, brincadeira e formação docente, desde que implementado com intencionalidade, continuidade e avaliação formativa.