Este artigo apresenta algumas reflexões sobre a literatura infantil afro-brasileira como instrumento para o afro-letramento. Esta reflexão se inicia na vivência do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID). Logo, a escrevivência (EVARISTO, 2020) busca romper com uma narrativa e fundamentação dominante, isto se torna uma perspectiva metodológica. Há a construção de uma disputa de narrativa, subjetiva e epistemológica baseada na análise de um corpo negro, neste caso, de um homem preto, sobre uma existência negra e sua busca por se fazer pedagogo. Neste contexto, buscamos responder à pergunta, em que medida a obra Bucala atende ao proposto na Lei 10.639/03. O objetivo geral foi refletir sobre a supracitada lei, apresentando perspectivas para a educação para as relações étnico-raciais, a significância da literatura infantil afro-brasileira e o afro-letramento pela análise da obra Bucala de Davi Nunes (2019) e sua relação com os valores civilizatórios africanos na representação da história do Quilombo do Cabula. Para construção da interpretação do disposto que está vinculado à memória (PAZ, 2019), estamos à luz de Evaristo (2017; 2020), Debus (2017), Gomes (2013), Munanga (2012), Nascimento (2019), Fanon (2008) e Flor do Nascimento (2019). Nesta ótica, a contextualização da obra de literatura infantil afro-brasileira faz parte da história e memória dos afro-brasileiros, sujeitos da diáspora em uma (re) construção de uma história que valorize e contemple as crianças negras e eduquem as não negras.