Este artigo discute, de forma aprofundada e analítica, o papel da literatura na Educação Infantil, abordando as especificidades da primeira infância (0 a 3 anos) e da segunda infância (4 a 6 anos) e suas zonas de interseção no processo de desenvolvimento integral da criança. Considera-se a literatura não apenas como um recurso pedagógico, mas como um dispositivo cultural e formativo que mobiliza dimensões cognitivas, linguísticas, afetivas, simbólicas e sociais, possibilitando à criança construir sentidos e elaborar experiências. Ao articular referenciais teóricos com práticas pedagógicas e orientações de políticas públicas, evidencia-se a relevância da mediação docente, da curadoria criteriosa de acervos literários e da criação de ambientes letrados e afetivos, capazes de favorecer a autonomia, a imaginação e o diálogo com diferentes linguagens. Discutem-se ainda os desafios contemporâneos, entre eles a formação inicial e continuada de professores, a valorização da leitura literária no cotidiano escolar e a incorporação de práticas inovadoras que dialoguem com a realidade sociocultural das crianças. Em síntese, defende-se que a literatura infantil, quando experienciada de forma sensível, planejada e integrada às vivências da infância, constitui-se como elemento estruturante na formação de leitores e na constituição de sujeitos culturais críticos, criativos e imaginativos, aptos a interagir de modo significativo com o mundo que os cerca.